quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

POLÍTICA: Neoliberalismo, não é isto?


Uma das discussões, que tem agitado os meios académicos, quando se aborda o salazarismo, é saber se ele foi ou não fascista.
A escola Rui Ramos bem se esforça por reduzir o regime a uma mera classificação de regime autoritário, aliás na mesma linha com que a direita chilena tenta, hoje em dia, igualmente, minimizar os custos da herança histórica colhida de Pinochet.
Num paralelismo singular com esse exemplo, que continua a representar a velha disputa entre os defensores do velho e do novo, há quem conteste a designação de «neoliberal» associada ás políticas do atual (des)governo.
Há cerca de uma semana o Alexandre Abreu punha os pontos nos is num post publicado no blog «Ladrões de Bicicletas»: Quando apodamos de "neoliberais" políticas como as deste governo, volta e meia lá surge quem invoque a etimologia da coisa para argumentar que medidas como o aumento da carga fiscal ou as sui generis nacionalizações da banca em que o Estado rói o osso e deixa a carne têm pouco ou nada de liberais e muito de intervencionistas, pelo que o epíteto "neoliberal" seria automaticamente descabido.
Entendamo-nos de uma vez, portanto: independentemente da etimologia, o laissez-faire económico é, quando muito, uma característica apenas secundária e amiúde dispensável do neoliberalismo. O que é absolutamente central é a predação do capital sobre o trabalho e a natureza, a expansão do privado à custa do comum, a prioridade ao lucro relativamente às necessidades humanas. O Estado e as suas possibilidades coercivas constituem, não um alvo a abater, mas um instrumento indispensável a mobilizar. Com extraordinário sucesso nas últimas décadas, acrescente-se.

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