segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

FOTOGRAFIA: As ruínas modernas de Julia Schulz-Dornburg


Há tão só cinco anos milhentas gruas apontavam aos céus espanhóis. Por quilómetros infindáveis estendiam-se lotes em construção, terrenos urbanizados já dotados de infraestruturas, incluindo de iluminação pública…
Era a época em que, por toda a União Europeia, um em cada três projetos imobiliários tinham a Espanha como local de implantação.
A um programa de urbanização logo outro se sucedia nas planícies à volta das cidades. Mais a sul, nas costas mediterrânicas, os índices de urbanização rivalizavam com os da capital, para que se tornasse possível o sonho de uma Flórida europeia, uma espécie de Miami Beach, que se alongasse por todo esse litoral.
A bolha  não tardou a estoirar e milhares desses projetos acabaram por falir. Os promotores tiveram de renunciar aos seus lucros especulativos e os compradores a uma residência principal ou secundária à beira-mar.
Construía-se para os turistas, para os espanhóis abonados e para os reformados do norte da Europa, que desejassem passar os seus anos crepusculares ao sol.
Segundo as estatísticas oficiais existem 800 mil residências desocupadas na Península Ibérica, alguns que valiam mais de 2 milhões de euros. Essas casas simbolizam a «ruína» nos dois sentidos do termo - o financeiro e o arquitetural.
A arquiteta e fotógrafa Julia Schulz-Dornburg nasceu em Dusseldorf, mas vive em Barcelona, e tem estado bastante ocupada na imortalização desses cenários pós-apocalípticos, que transformou no álbum «Ruínas Modernas. Una topografia de lucro».
Nas suas imagens vêem-se avenidas a desembocarem no vazio, linhas de fuga  definidas por postes de iluminação que jamais serão eletricamente alimentados e filas de construções abandonadas, que lembram esqueletos de dinossauros.
Fotografias que, nalguns casos, possuem inegável beleza, mas espelham uma catástrofe política, social e ambiental.




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