quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

POLÍTICA: Liderança, Marxismo e Dimensão do Estado


Da viagem diária pelas redes sociais, pela blogosfera e pelos jornais que se vão publicando, assinalarei aqui três textos particularmente interessantes pelo conteúdo e por quanto refletem uma perspetiva acutilante sobre estes tempos atuais.
O tema da liderança do Partido Socialista foi abordado por José Vítor Malheiros no «Público» de uma forma, que não subscrevo na totalidade, mas de que em grande parte me reconheço. Sobretudo na falta de carisma de António José Seguro e na maior consistência de António Costa:
Nos últimos anos, fomo-nos habituando à ideia de que António Costa seria o melhor a que podíamos aspirar como primeiro-ministro, se considerássemos os políticos à esquerda do centro.
Não sendo concebível uma maioria eleitoral de esquerda sem o PS, o primeiro-ministro a sair de uma eventual maioria de esquerda teria de vir daquele partido e Costa parecia ser o mais potável.
Tem uma carreira de governante prestigiado, tem sido um presidente de câmara aceitável e capaz de gerir alianças, parece determinado mas sensato, tem a suficiente agressividade política mas não parece ser comandado pelos seus ódios pessoais, demonstra preocupação social, consegue construir um discurso alternativo ao do Governo ainda que na variável português suave, tem à-vontade e a suficiente capacidade de expressão e argumentação (…) e, o que é essencial num líder político, não põe as sobrancelhas em acento circunflexo para se dar ares de estadista.
Porque acredito que ainda vamos a meio da História, e não no seu fim, perspetivo ver o Partido Socialista em consonância com os seus eleitores em vez de se cingir ao exclusivo querer dos seus militantes.
Outro tema do dia foi a da presença de Fernando Ulrich numa das Comissões Parlamentares e a sua resposta sobranceira à solicitação de João Galamba para que pedisse desculpa a quantos portugueses se têm sentido insultados com as suas palavras. Reage Sérgio Lavos no «Arrastão»:
O que esperar de alguém que nasceu e viveu sempre de forma privilegiada, que descende de famílias que vivem do trabalho dos outros há décadas?
Alguém que vive completamente alheado da realidade de 99% dos seus concidadãos?
Alguém que não percebe como é ofensivo comparar-se a pessoas que já nascem a perder em relação a ele e aos da sua classe?
E ainda há quem ache que a luta de classes é coisa ultrapassada... em tempos de transferência de recursos dos mais pobres para os mais ricos (basta olhar para os prejuízos do BPI que se transformaram em lucros no pior ano de sempre para a economia portuguesa, o ano em que milhares ficaram desempregados e milhões muito mais pobres), nunca a ideia de Marx foi tão actual.
A exemplo de Sérgio Lavos, também acredito na inquestionável pertinência do marxismo nos dias que correm.
E Daniel Oliveira escreve no «Expresso» um texto muito lúcido sobre a corrupção e a qualidade dos políticos, batendo-se pela necessidade de um Estado mais forte:
Os políticos não são mais corruptos do que eram. São apenas mais fracos, porque se limitam a gerir um Estado mais fraco numa sociedade atomizada que não pode ser representada através de narrativas coerentes.
Quem pensa que a melhor forma de combater a corrupção é retirar ainda mais o Estado da vida social e económica, reduzir o papel dos partidos políticos e dissolver as grandes clivagens ideológicas não compreende as razões profundas desta fraqueza.
A falta de qualidade da classe dirigente não é a causa, é a consequência da fragilidade do Estado. Porque não se pode esperar que os melhores escolham ser dirigentes que pouco ou nada dirigem.

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