José Luís
Carneiro disse que Luís Montenegro está a trabalhar para ser o pior
primeiro-ministro desde o 25 de Abril. É uma acusação séria e, convenhamos,
ambiciosa. Porque a concorrência é feroz.
Pense-se
em Durão Barroso, que abandonou o país a meio do mandato para ir presidir à
Comissão Europeia, deixando a pasta a quem se sabe. Pense-se em Santana Lopes,
precisamente esse a quem se sabe, cuja passagem por São Bento foi tão breve
quanto memorável pelas piores razões. Pense-se em Passos Coelho, que empobreceu
o país com método, exportou uma geração inteira e chamou-lhe "ir além da
troika". Para bater este pódio, Montenegro precisa de trabalhar muito. E,
justiça lhe seja feita, tem trabalhado.
A
propaganda dizia "Deixem o Luís trabalhar". Era um apelo infantil, ao
qual o país acedeu com a benevolência de quem dá uma oportunidade. Passados
dois anos, o slogan pede revisão urgente. Deveria ler-se: "Não deixem o
Luís estragar ainda mais."
Porque
estragar é o que tem feito, e com aplicação. Recebeu dos socialistas uma
herança que ninguém dirá famosa — havia listas de espera, faltavam médicos de
família, a habitação já era um problema. Mas havia também contas certas,
crescimento acima da média europeia e um Estado que ainda funcionava como
Estado. Montenegro pegou nisto e conseguiu piorar tudo em simultâneo, o que
exige uma coordenação notável do desastre.
Na saúde,
mais gente sem médico de família do que quando chegou. Na educação, o caos nos
exames nacionais e um ministro que culpa agrafadores. Na habitação, preços que
continuam a expulsar a classe média das cidades onde trabalha. Nas contas, a
receita inflacionada por impostos sobre combustíveis que colocam as famílias
portuguesas entre as mais penalizadas da União Europeia. E nas tempestades, um
relatório presidencial a falar em improviso e insuficiência de coordenação.
Vinte e
cinco pacotes de medidas depois, o país continua à espera de que algum deles
produza efeito. Talvez seja essa a genialidade do método: anunciar tanto que
ninguém tenha tempo de verificar se alguma coisa foi feita.
Carneiro
pode ter razão. Montenegro trabalha, de facto, para o pódio. Falta saber se
chegará a tempo de destronar Passos Coelho, que ainda detém o recorde absoluto
de devastação social por mandato. É uma corrida renhida e o primeiro-ministro
tem dois anos pela frente.
A menos
que...



















