quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

POLÍTICA: A Itália perdida no seu labirinto - a importãncia dos media


O dia seguinte aos dois por que se prolongaram as eleições italianas foi fértil em comentários de todo o género por quem quase coincidiu a 100% com o veredito: com estes resultados o país fica ingovernável. A esquerda ganha o parlamento, mas perde no Senado, e o Movimento Cinco Estrelas, que recusa qualquer aliança com as demais forças políticas, consegue uma votação de 1/4 do eleitorado.
O impasse daí resultante tem, no entanto, origem em três diferentes ordens de razão, das quais iremos aqui abordar a primeira, deixando as restantes para abordagem posterior: esses resultados dificilmente se verificariam se, acaso, a grande maioria dos jornais, revistas, rádios e televisões não estivessem na posse de Berlusconi ou dos seus amigos e aliados. Da facto, o eleitorado italiano mostra-se demasiado permeável às mensagens emitidas por esses meios de (des)informação, que normalizam o comportamento do organizador das festas bunga-bunga e promovem as palhaçadas aparentemente irreverentes do comediante Beppo Grilo. Assim se explica a votação significativa de um traste que, em condições normais, já deveria estar atrás das grades e  a significativa adesão de uma não-ideologia assente na qualificação por igual de todos os políticos e de todos os partidos a que eles pertencem.
Extrapolando essa realidade para aquela em que vivemos, podemos avançar com a presunção de não ser por mero empreendedorismo ou por paixão pelo jornalismo, que relvas tanto se esforçou por entregar a RTP aos amigos. Com a SIC nas mãos de um Balsemão, que confia os seus noticiários económicos à grotesca influência de um josé gomes ferreira e com a TVI liderada por uma judite de sousa, que promove os discursos manipuladores de marques mendes e de medina carreira, relvas só precisava de uma RTP completamente correiodamanhãzável para garantir as habituais campanhas de sarjeta em que esse matutino se especializou.
À distância compreende-se o nervosismo com que tal direita encarou a possibilidade de José Sócrates estar a cuidar de manobra similar na TVI e que gerou toda a polémica enfatizada por manuela moura guedes e por mário crespo para denegrir a liberdade de informação da época. E, no entanto, mesmo se sucedesse esse eventual alinhamento do canal de Queluz com os interesses do Largo do Rato ainda persistiria um enorme desequilíbrio quanto à posse dos meios de informação disponíveis e do controle dos conteúdos por eles transmitidos. 
Voltando a Itália, compreende-se, pois que os resultados tivessem sido condicionados pela incapacidade de grande parte do eleitorado italiano adquirir informação fiável e objetiva sobre a situação da sua economia e das propostas para a alterar. Bem se esforçou Pier Luigi Bersani por o conseguir, mas foi torpedeado, por um lado, pelo discurso mentiroso, demagógico e criptofascista de Berlusconi e, pelo outro, pelo terrorismo argumentativo dos seguidores de Beppo Grilo. E, no entanto, se existe alguém em Itália capaz de, hoje em dia, ter algumas respostas para infletir a conjuntura, o provável, mas muito fragilizado primeiro-ministro é um deles...

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