quinta-feira, 2 de maio de 2013

POLÍTICA: Mas afinal quem quer consensos?


Numa altura em que há tanto apelo ao consenso entre a coligação no poder e o Partido Socialista - numa plêiade de “casamenteiros”, que vai de cavaco silva a passos coelho, passando pelos banqueiros e o grande patronato, sem esquecer os muitos comentadores, que se sucedem nos ecrãs televisivos! - é curioso como essa possibilidade vai sendo destruída pelos que teriam maior interesse em que ela se concretizasse.
Em primeiro lugar o (des)governo continua a promover grandes linhas de orientação para o crescimento e para as supostas reformas estruturais do Estado sem dar qualquer informação consistente aos socialistas, de quem pretenderiam apenas o ámen para as decisões, que nem os próprios ministros conseguem acordar em reuniões de muitas e longas horas.
Os acontecimentos dos últimos dias têm sido pródigos em revelar a dificuldade crescente em passos coelho e gaspar conseguirem conter o descontentamento da maioria dos demais ministros, já não sendo liquida uma clara estratificação entre os que estão ligados ao PSD ou ao CDS.
Depois a forma incrivelmente despudorada como vítor gaspar e maria luís albuquerque foram à comissão parlamentar abordar os SWAPS constituiu uma autêntica provocação, que Fernando Medina e João Galamba denunciaram com a mais contundente das veemências. Chegar ao ponto de se ser juíz em causa própria é daqueles comportamentos em democracia, que julgaríamos debelados para sempre do nosso panorama político!
Finalmente avultam os comportamentos desesperados dos militantes e autarcas laranjas que, vendo o chão a fugir-lhes debaixo dos pés, optam pela violência física e pelo recurso indesculpável aos dinheiros públicos para enlamearem os argumentos dos adversários.
Foi isso mesmo, que se ficou a depreender dos acontecimentos deste 1º de maio, primeiro com a agressão cobarde de um punhado de jovens laranjas da Trofa contra dois elementos da Juventude Socialista e, depois, com a denúncia da utilização dos dinheiros da autarquia de Vila Nova de Gaia por parte de Luís Filipe Meneses para contrariar, em anúncios pagos em jornais, os argumentos do candidato socialista à Câmara do Porto, que denunciara o elevado custo da água no município ainda liderado pelo antigo presidente do PSD.
Estas sucessivas atitudes de dirigentes do PSD aos mais diversos níveis são o espelho de uma degenerescência, que acelera a olhos vistos. E que explicam bem porque, no recente Congresso, António José Seguro se apressou a pedir a maioria absoluta aos portugueses.
É que, também, nos outros países europeus, vai crescendo a força dos que combatem a estúpida austeridade promovida por Merkel e seus aliados. Com a chegada de Enrico Letta à chefia do governo italiano, François Hollande sentir-se-á menos isolado para enfrentar o comportamento fundamentalista das instituições a soldo dessa estratégia por demais denunciada como um autêntico fracasso económico, financeiro, social e ideológico.
As formigas no carreiro estão quase a mudar de rumo!

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