O
aeroporto de Lisboa tornou-se a montra do país. Não a montra que convida — a
que afasta. Filas de horas para passageiros de fora do espaço Schengen,
controlos de identidade que se arrastam até os voos partirem sem os
passageiros, transferências perdidas, turistas retidos. A CNN americana já fez
a reportagem. Nas redes sociais brasileiras recomenda-se evitar Lisboa como
ponto de escala para outros destinos europeus. O dano reputacional instala-se
com a rapidez que só as más notícias conhecem e demora anos a reparar.
Luís
Montenegro, quando estava na oposição, dizia raios e coriscos das ineficiências
do governo de António Costa. Ia resolver tudo, e depressa. Na educação prometeu
professores para todos os alunos — há alunos sem aulas. Na saúde prometeu
médico de família para toda a gente em seis meses — há cada vez mais pessoas dele
privada e as cirurgias necessárias acumulam-se em listas de espera que
transformam diagnósticos tratáveis em emergências. Na habitação prometeu casas
acessíveis — os preços continuam a subir e a classe média junta-se aos que já a
elas não chegam.
O
aeroporto é apenas um capítulo desta história. Pedro Nuno Santos tinha uma
visão para o que deveria ser a solução aeroportuária de Lisboa — grandiosa
demais para a mesquinhez do então primeiro-ministro, que tratou de a travar por
oposição ao homem antes de avaliar a ideia. Montenegro chegou ao poder sem
visão alternativa, entregou o problema a quem não tem capacidade de o resolver,
e o resultado é o que se vê: filas, voos perdidos e reportagens internacionais
que o país não precisa.
Há um
padrão. Chega-se ao poder convicto de que a incompetência alheia era o único
obstáculo e que a própria chegada bastaria para resolver o que estava mal. Não
bastou. Se as coisas já não estavam bem, ainda pior ficaram — que é a definição
precisa de desgoverno.
Este
governo não governa. Administra a deterioração e chama-lhe gestão responsável.
