segunda-feira, 1 de junho de 2026

Este Governo Não Governa

 

O aeroporto de Lisboa tornou-se a montra do país. Não a montra que convida — a que afasta. Filas de horas para passageiros de fora do espaço Schengen, controlos de identidade que se arrastam até os voos partirem sem os passageiros, transferências perdidas, turistas retidos. A CNN americana já fez a reportagem. Nas redes sociais brasileiras recomenda-se evitar Lisboa como ponto de escala para outros destinos europeus. O dano reputacional instala-se com a rapidez que só as más notícias conhecem e demora anos a reparar.

Luís Montenegro, quando estava na oposição, dizia raios e coriscos das ineficiências do governo de António Costa. Ia resolver tudo, e depressa. Na educação prometeu professores para todos os alunos — há alunos sem aulas. Na saúde prometeu médico de família para toda a gente em seis meses — há cada vez mais pessoas dele privada e as cirurgias necessárias acumulam-se em listas de espera que transformam diagnósticos tratáveis em emergências. Na habitação prometeu casas acessíveis — os preços continuam a subir e a classe média junta-se aos que já a elas não chegam.

O aeroporto é apenas um capítulo desta história. Pedro Nuno Santos tinha uma visão para o que deveria ser a solução aeroportuária de Lisboa — grandiosa demais para a mesquinhez do então primeiro-ministro, que tratou de a travar por oposição ao homem antes de avaliar a ideia. Montenegro chegou ao poder sem visão alternativa, entregou o problema a quem não tem capacidade de o resolver, e o resultado é o que se vê: filas, voos perdidos e reportagens internacionais que o país não precisa.

Há um padrão. Chega-se ao poder convicto de que a incompetência alheia era o único obstáculo e que a própria chegada bastaria para resolver o que estava mal. Não bastou. Se as coisas já não estavam bem, ainda pior ficaram — que é a definição precisa de desgoverno.

Este governo não governa. Administra a deterioração e chama-lhe gestão responsável.

Sem comentários:

Enviar um comentário