terça-feira, 28 de maio de 2013

POLÍTICA: a nulidade presidencial

Nunca fui paladino daquela máxima segundo a qual cada povo tem os governantes, que merece. Mesmo sabendo-os eleitos pela expressão maioritária dos seus votos.
É que a todos é permitido sonhar e o facto de se deixarem embalar pelo canto da sereia de quem lhes prometeu mundos e fundos para depois os enganar, não os inibe à condição de vítimas de um ludíbrio de que tardiamente sentiram as consequências. Daí que seja perigoso ilibar os tais “governantes” à conta da suposta vontade dos seus eleitores, porque, da mesma forma, desculparíamos qualquer ato delinquente só porque poderá ter contado com a passividade ou a impotência de quem com ele sofreu.
Estaríamos então à beira de americanizarmos a nossa bem mais sadia sociedade, com a distribuição de armas a todos os cidadãos para se poderem defender em igual proporção de quem os pretenda atacar.
Ainda assim é perturbadora a conclusão do artigo publicado esta semana por António Guerreiro no suplemento «Ipsilon» do «Público», quando escalpeliza o comportamento de cavaco silva: A nulidade metafísica do nosso Presidente da República não tem apenas o poder de dissolver  ou não dissolver a Assembleia da República. O seu poder mais secreto, que ele exerce quer queira quer não e que lhe advém da sua condição figural e figurativa, é o de dissolver o próprio povo na estratégia fatal de uma nulidade recíproca.
Terá a nulidade de cavaco silva, enquanto lamentável protagonista deste momento histórico, a consequência da dissolução do próprio povo, que o elegeu? Será este culpado de ter acreditado na sua capacidade para lidar com a gravíssima conjuntura, que a crise de 2008 já anunciava?
Culpado será sim cavaco silva de ser um presidente incapaz de estar à altura dos seus compromissos, sujeitando os portugueses ao terrível quadro hoje enunciado por Paul Krugman num artigo de leitura obrigatória para todos os economistas em breve reunidos em Belém para darem o ámen à torpe inação do seu anfitrião perante a dissolução da estrutura produtiva do país. Culpado será ele por se ter deixado conduzir pela sua vaidade pessoal e pretendido exercer funções, que estariam sempre muito para além das suas capacidades e competências.
Ainda a cumprir a primeira metade do seu segundo mandato, cavaco silva já tem garantido o pódio do pior presidente desta desgovernada República.


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