domingo, 26 de maio de 2013

LIVRO: «N’ aie pas peur si je t’enlace» de Fulvio Ervas

Se até aos dois anos e meio, Andrea pareceu ser um miúdo perfeitamente normal, tudo mudou de um instante para o outro.
Franco Antonello, o pai, suspeita de uma vacina por ele então tomada e que lhe alterou radicalmente o comportamento.
Autismo! - é o veredito dos médicos consultados e que eliminam qualquer possibilidade de irreversibilidade dos sintomas analisados.
A família esfrangalha-se, a mãe vai à sua vida, e Franco abandona a atividade de empresário para se dedicar por inteiro à educação do filho. O que não é fácil, porque Andrea é um furacão imprevisível: está sempre em movimento na ponta dos pés, exige uma ordem meticulosa dos objetos à sua volta, esvazia todas as garrafas, rasga todos os papéis que lhe passam para as mãos e abraça quem tem á frente.  Razão para que o pai o vista com uma t-shirt, que diz: «Não tenhas medo que te abrace», frase escolhida para título deste romance.
Quem escreveu o livro foi o escritor de romances policiais Fulvio Ervas que, um dia, quando estava num café, foi contactado por um Franco determinado a contar-lhe a sua história e a do filho. E, sobretudo, a da viagem de trinta e oito mil quilómetros pela América acabada de fazer e que, apesar dos conselhos em contrário dos médicos, concretizara para comemorar a aproximação do 18º aniversário de Andrea.
De Miami a Los Angeles, do México ao Panamá, e a culminar no Brasil, pai e filho utilizaram uma Harley Davidson e alguns carros para uma viagem iniciática e com situações totalmente inesperadas: como quando Andrea acaricia crocodilos, comunica com xamãs índios ou beija raparigas.
Fulvio Ervas começou por resistir ao convite de Franco Antonello até porque nunca estivera nos Estados Unidos nem conduzira qualquer mota, mas sobretudo por saber quantas armadilhas se escondem nas chamadas «histórias verdadeiras». Mas arrisca-se e decide contar a história na primeira pessoa pela perspetiva do próprio Franco, transformando-a numa aventura épica, movimentada e comovedora. Porque compreende ser essa a forma de dar sentido a um destino individual através da literatura.
No final, o pai acaba por se sentir mais próximo do mistério do filho, enquanto este parece ganhar maior confiança em si mesmo. E fica uma moral: é preciso avançar mesmo quando tudo parece ilusório.
Editada inicialmente numa pequena editora, o romance depressa conhece um sucesso fulgurante por ação do efeito boca a orelha e, depois pela divulgação através da imprensa.
Resultado: um dos grandes fenómenos literários do ano, com direito a tradução em diversas línguas.


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