domingo, 5 de maio de 2013

ARTE: À descoberta de Ticiano (1)


Há uns anos o canal franco-alemão ARTE apresentou uma série de programas de Hector Obalk sobre diversos artistas, que nos impressionaram pela erudição do apresentador e pelo convite feito para explorarmos os detalhes em cada quadro.
Agora reencontrámos o primeiro desses programas, dedicado a Ticiano, e o encantamento voltou a repetir-se.  Começando pelo retábulo da «Ascensão da Virgem» (1518) existente na Basílica dei Frari em Veneza, aonde se observa a subida aos céus da mãe de Jesus, aonde a espera Deus, que lhe esconde o Sol, Obalk incita-nos a ver como o pintor escolheu uma composição bastante simples, mas bastante eficaz para cumprir o que se pretendia na encomenda de que fora incumbido.
Mas, logo passamos para outros quadros do artista, com a referência à importância da nudez feminina assumida no Renascimento enquanto ideal da Beleza Divina. Ticiano não hesita em contrapor à Mulher vestida (espelho do amor profano) a Mulher despida (a simbolizar o amor celestial).
“Flora”, também da mesma época do retábulo anterior,  está exposta no Palácio Uffizi em Florença e corresponde a uma mistura entre esse amor profano e divino, com a sua blusa delicada, o ramo de flores aveludado e a subtil mecha de cabelos no ombro esquerdo.
A assinatura do pintor também se constata na perfeição com que está representada a mão esquerda, muito embora o espectador esteja impossibilitado de se maravilhar com o ténue relevo, que uma restauração pouco cuidada destruiu.
Em ambos os quadros o rosto feminino é muito semelhante, o que não admira, já que a amante de Ticiano terá servido de modelo para ambos.
É fácil constatar que cada quadro do pintor veneziano merece um estudo bastante mais porfiado do que a nossa condição de visitantes ocasionais de museus possibilita...

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