Um dos jornalistas do «Público», que leio com agrado é Manuel Carvalho cuja coluna dominical é um espaço interessante para o escrutínio dos acontecimentos da semana.
Desta feita ele aborda a “espantosa naturalidade” com que passos coelho defendeu no Parlamento o embaratecimento dos despedimentos ilegais. Com a habitual falta de escrúpulos ele fez a apologia da ilegalidade, naquilo que Carvalho classifica de “aberração democrática”. Porque “o Governo está a dizer aos patrões para não se preocuparem em cumprir as regras do Estado de direito. Está a dizer-lhes que não vale a pena observar os constrangimentos e limites da lei sempre que tenham de despedir. Está a sugerir-lhes que não vale a pena preocuparem-se em ser criteriosos, em respeitar direitos individuais, a lembrar-lhes que as decisões arbitrárias sem cobertura legal vão ser vistas como pormenores, porque mesmo que os tribunais decidam pela ilegalidade do despedimento, isso não lhes ficará mais caro.”
É claro que seria impensável imaginar passos coelho preocupado com o que futuramente dirão dele os livros de História. Mas podemos conjeturar que, se cavaco silva ficará remetido, pela sua insignificância, a uma linha de rodapé, o atual primeiro-ministro arrisca-se a ficar recordado como o grande biltre, que se terá sentado no poder executivo nacional neste primeiro quartel do século XXI. Sem que tenhamos que temer o eventual exagero da comparação: passos coelho só não se alcandora à dimensão celerada de salazar porque os tempos são outros e terá de se conformar com alguns formalismos democráticos, que intimamente despreza.
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