domingo, 30 de outubro de 2016

A irresoluta questão racial nos EUA - o comentário do José Manuel Pereira

 De facto os EUA mudaram muito pouco (ou nada). Como aquele ditado bem português (quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita), os States cresceram tecnologicamente, financeiramente, mas tudo o resto continua tao mau, como mau era o ser e a génese dos seus primeiros colonos. Exterminaram uma etnia autóctone, da qual preservam ainda alguns espécimenes em zoológicos puros para folclore. O apartheid existe, é rácico, é étnico, é genético. Cresceram também com a mentira do petrodólar, com a intriga e com a ambição desmedida da conquista e domínio, sem fronteiras, sem limites, sem vergonha.
Os EU são um pais policial e policiado em que 50% ou mais da população vigia e controla o resto e o resto do mundo Criam genocídios e chegam a imolar o seu próprio povo para fazer passar uma ideia ou alimentar um odio interno visceral à sua próxima vitima internacional. Mas ja pouco me surpreende.
O que para mim é de facto angustiante é o seguidismo das culturas ancestrais europeias e orientais que ainda vislumbram naquela selva o êxito do self made man e importam o vírus do sonho americano. Afinal o negro na casa branca não mudou nada. A mulher também não vai fazer diferença e se a alternativa forem "Trumps" então estamos conversados para este seculo. A ver vamos, para o XXII se la chegarmos.

2 comentários:

  1. Relativamente ao seu texto inicial, faço notar que a Revolução Americana antecede a Francesa e que o Marquês de Lafayette era então um soldado leal de Luís XVI (e foi durante toda a sua vida um liberal moderado). Aliás, a ajuda dada pelo Reino de França aos nascentes EUA, que se revelou essencial para ganhar a guerra de Independência, contribuiu para a penúria financeira do primeiro, que levou em grande medida à Revolução Francesa. E o Reino de França, tendo embora abolido a escravatura na metrópole no sec. XIV, era tão esclavagista nas colónias como a Grã-Bretanha... Foi o governo da Primeira República Francesa que aboliu a escravatura em todos os territórios, que foi depois reinstituída por Napoleão em 1802, o que levou à revolta e à independência do Haiti, a segunda no hemisfério ocidental. E existiu durante a Revolução Americana e posteriormente uma profunda contenda entre o imperialista e progressista Hamilton, anti-esclavagista, e os conservadores, agrários e esclavagistas Jefferson e Madison (mesmo Jefferson tinha uma posição ambivalente em relação à escravatura), e as respetivas fações. E cabe lembrar que os americanos aboliram o tráfico marítimo de escravos muito antes de Portugal, pelo que não temos grande moral para os criticar, nós que contribuímos talvez mais do que ninguém para esse comércio sangrento (veja https://en.wikipedia.org/wiki/Abolition_of_slavery_timeline). É público e notório que existe um racismo profundo nos EUA, mas eu pergunto-me sobre o que se passa na Europa? Onde estão os nossos Obamas? Tirando o exemplo da França onde desde há muito pessoas de cor têm ocupado altos postos no governo (e convém lembrar o exemplo do General Dumas, pai do célebre escritor, que é ainda hoje o oficial de mais alta patente de cor a ter servido num exército europeu, no sec. XVIII (!) ) e em menor grau da Itália, e agora felizmente de Portugal, os governos europeus são todos muito branquinhos... Só em países onde existe apesar de tudo um genuíno progresso nas relações raciais e na integração dos migrantes é que fenómenos de cariz reacionário são de observar (o que também ajudará a explicar a FN na França). Por isso, contrariamente ao José Manuel Pereira, eu considero o legado americano apesar de tudo positivo e pergunto-lhe quais são os exemplos que ele gostaria de dar onde a civilização europeia pode dar lições aos americanos. Portugal, pelas razões apontadas, certamente que não pode, a Bélgica tendo em conta o genocídio no Congo no princípio do sec. XX, também não. E os (maus) exemplos sucedem-se, até os Britânicos estão cheios de sangue nas mãos das suas guerras coloniais. Os EUA são um grande País, com um sistema político disfuncional e simultaneamente admirável no exercício da Liberdade. O seu sistema económico é simultaneamente profundamente inovador e gerador de profundas desigualdades. Claro, comportam-se exatamente como outras grandes potências imperialistas e só se distinguem delas por a sua área de influência ser mesmo o mundo inteiro. A Rússia de Putin é bem mais atemorizadora, porque lá o Presidente nem sequer está sujeito ao controle das restantes instituições. Aliás, é bom de ver que onde no Ocidente impera a hipocrisia, Putin pode dar-se ao luxo de ser absolutamente cínico, não precisa da hipocrisia para coisa nenhuma, porque não tem que convencer ninguém. Para mim, o anti-americanismo reinante na Europa em alguma Esquerda e na Extrema-Direita (acompanhado pelo seguidismo tradicional da Direita Tradicional) tem que ver com uma coisa simples. O Capitalismo Americano ajudou a enterrar pela via militar o Fascismo (o que explica o ódio da Extrema-Direita à América Liberal e imperialista de Roosevelt, Kennedy, Clinton e Obama, mas não à isolacionista de Trump) e enterrou (sobretudo) pela via económica o Socialismo Real, que agora algumas vozes insistem em querer, ao melhor estilo dos filmes zombies, desenterrar do caixote do lixo da História... E isso, essa Esquerda não lhe perdoa... Em lugar de reconhecer as falhas congénitas de tal sistema, prefere ao invés culpar os seus adversários...

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  2. São o que são e uma das suas maiores glórias é a invenção do "BLOQUEIO", que dura 60 anos ou mais... Abraham Lincoln, não merecias esta descendência de John Wilkes Boths...

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