quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Ser Presidente é isto?

Dirão os meus amigos marcelistas, que pareço ter uma obsessão pelo inquilino do palácio de Belém não perdendo nenhuma oportunidade para lhe cortar na casaca. Mas, depois da declaração ao país lida esta noite fica alguma dúvida sobre a falta de qualidades do referido titular para se considerar o mais alto magistrado da nação, o presidente de todos os portugueses?
Uma das características exigíveis a um Presidente digno desse nome é ter a gravitas, no que isso significa de contenção na expressão e rigor no que diz. Será que o país merece ter em tal função uma espécie de menino da lágrima, mais preocupado em parecer demonstrar o que lhe vai na alma do que em assumir-se como um homem probo e capaz de se revelar um líder à medida da tragédia por que passa o país? Alguém que finge desconhecer as causas conjunturais e estruturais explicativas do sucedido e contra as quais demorarão anos a amortecer-lhes os efeitos?
Perante a dimensão do sucedido não era hora de exigir a unidade de todas as forças políticas e instituições para que, em conjunto e sem reservas mentais se cuidasse do essencial nesta altura: enterrar os mortos e cuidar dos vivos? Ou, pelo contrário precisamos de um presidente alinhado com uma fação oportunista, que repete o aproveitamento necrófilo das vítimas para, em cima dos seus túmulos, alcançar ganhos políticos?
Marcelo confirma o que, desde início dele se sabe: por muito que tente contornar as tendências no ADN, como dissociar-se de ser filho e afilhado de quem foi? Merece o Portugal de Abril ver-se representado por quem confirma portar-se como o herdeiro de quem o sempre quis asfixiar? Ou esquecemos de que lado ele sempre esteve, quando nos tempos da ditadura os estudantes da sua Universidade enfrentavam os gorilas e os pides?
Com o ultimato ao governo, e a óbvia determinação para que a vontade do CDS seja cumprida, Marcelo demonstrou incontornável parcialidade. Não é que as esquerdas desconhecessem quem teriam de enfrentar, quando com papas e bolos - na sua versão atualizada de abraços e selfies - logrou chegar onde o temos de suportar. Mas seria estúpido se, atempadamente, socialistas, comunistas, verdes e bloquistas não começassem desde já a pensar numa alternativa forte, capaz de o apear do cargo ao fim deste mandato. É que, hoje, ficou bem claro o que faria Marcelo se já contasse à frente do seu partido com quem ajustasse o golpe capaz de devolver as esquerdas para a manietada oposição ao governo do seu agrado. 

6 comentários:

  1. SOBRE O DISCURSO DE ONTEM DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA

    Depois da tragédia que se abateu sobre Portugal e sobre o miserável discurso à Nação do senhor primeiro-ministro, que nas palavras de Carlos Vaz Marques foi "um discurso de amanuense político, sem empatia nem compaixão. Sem responsabilização nem sentido das responsabilidades".
    A comunicação ao país do mais alto magistrado da nação era esperada com alguma expectativa. E, de facto a mesma não me decepcionou nem na forma, nem no conteúdo. E passo a explicar porquê:

    1º Porque demitiu em directo a Ministra da Administração Interna, mesmo sem nunca referenciar directamente o seu nome. Efectivamente esta ministra há muito que já não tinha condições políticas para o desempenho daquele importantíssimo cargo ministerial. E deixa aberta a porta para a substituição de outras personagens de outros ministérios (entenda-se, a triste figura do Ministro da Defesa, o ausênte Ministro da Economia, ...), contrariando assim a ideia do primeiro-ministro de que "falar de demissões é pura infantilidade".

    2º Porque chama a atenção do 1º ministro para o facto de tal situação não poder continuar como está. Não se pode dizer ao País que estas calamidades vão tornar à acontecer e que o Estado não garantiu a segurança e a protecção dos seus cidadãos e que não a vai garantir no futuro. Muito pelo contrário, o Estado, e as figuras que o representam tudo têm que fazer para salvaguardar a integridade dos seus cidadãos - "impõem-no milhões de portugueses".

    3º Porque falou com o coração nas mãos "e com um peso enorme na consciência" contrastando com a consciência tranquila do primeiro-ministro: os mais de 100 mortos em 4 meses, irão para sempre assombrar a sua vida e o seu desempenho aquando do tempo do seu mandato enquanto presidente da republica. Falou mesmo na necessidade de ter de haver responsabilidades e na necessidade de quem governa apresentar um pedido público de desculpas.

    4º Porque, aproveitando a moção de censura que o CDS/PP vai apresentar na Assembleia da República, remete para o Parlamento, que viabilizou este governo, se ainda o apoiam e, se é isto que eles querem continuar a apoiar. Sabendo-se de antemão que esta é uma mensagem dirigida ao Bloco de Esquerda (que em 2015 a propósito dos incêndios referiu que a incompetência do governo não pode encontrar justificação na meteorologia) e ao Partido Comunista Português (que, por tal apoio, tão penalizado foi nas últimas eleições autárquicas).

    5º Porque anuncia ao País o fim do eterno estado de graça entre a presidência da república e o governo, que tanto tem beneficiado o PS e a sua governação.

    6º Por fim, um último reparo, que não pode passar despercebido. Este é eminentemente de cariz simbólico e, prende-se com o local em que o Chefe de Estado faz a comunicação ao País. Fá-lo de uma câmara municipal de uma localidade afectada pelos incêndios, transmitindo a ideia de que se mais ninguém se importa - ele está lá, com as autarquias e com o povo que sofre, que o elegeu e que lhe dá legitimidade política.

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  2. O FIM DO ESTADO DE GRAÇA DE ANTÓNIO COSTA
    Eu não sou capaz de me “meter na pele” das pessoas que viveram (e vivem) as consequências terríveis dos incêndios que se registaram nos últimos meses (mas também de quaisquer outras catástrofes e calamidades que provocam a destruição e a perda de vidas, pelo fogo ou por outra qualquer demonstração de fúria da Natureza!).
    Para quem vive nas grandes cidades … e não tem ligações (afectivas ou outras) às regiões mais sujeitas à ocorrência desses riscos, precisa de ser portador duma excepcionalmente fértil imaginação, ou uma raríssima sensibilidade – o que, em verdade, não é o meu caso – para conseguir “colocar-se no lugar do outro”, relativamente a estas situações extremamente graves.
    No entanto, essa característica não me coíbe de compreender e sentir a dor, o desespero e, até a raiva, em que se encontram, ao verem todo o trabalho, todo o empenho, todo o esforço (físico, emocional e financeiro) destruído em minutos … sem que pudessem intervir para, ao menos, amenizarem, diminuírem as perdas, ou recuperarem algum bem mais importante ou significativo (uma lembrança, uma memória – uma fotografia, um objecto…), que pudesse representar, no mínimo, algum vestígio de compensação ou de gratificação.
    Fiquei chocado, com a atitude do nosso PM, pela forma insensível e demagogicamente inaceitável como se apresentou na declaração (ao país) proferida após serem conhecidas as primeiras consequências dos incêndios do último fim de semana.
    A minha apreciação pelo político António Costa começou por ser muito negativa, justificada pela forma como se “apoderou” da posição de líder do partido; depois, pelo modo como se “apropriou” do poder, abrindo as portas da governação aos partidos mais radicais da esquerda.
    Mas posteriormente, mercê da boa convivência com o PR e dos resultados alcançados com a “geringonça” no plano económico, suavizei um tanto a minha hostilidade … até aos últimos acontecimentos, ocorridos nos últimos 4 meses.
    Acabou o estado de graça que lhe concedi!
    Entendo que não tem mais condições para se manter na cadeira de Primeiro Ministro, por falta de perfil de estadista.
    Não basta ser inteligente (reconheço que é), bom negociador e eficiente orador, para ocupar e desempenhar um cargo que exige, para além de todas essas qualidades, a da humanidade, a da tolerância e a da humildade … em doses q.b. (as quais, demonstra não possuir!).
    Prevejo que a “moção de censura” a apresentar no Parlamento pelo CDS-PP, não vai ser capaz de pôr em causa o lugar que, à revelia do sufrágio eleitoral, ocupa no governo – devido aos interesses que os partidos que o apoiam têm em se manter na esfera das decisões políticas, fazendo parte da “conspiração” que governa Portugal (a geringonça!).
    Mas tenho pena.
    Tenho pena que os responsáveis do PCP e do BE não tenham a capacidade de fazer a leitura correcta da mensagem que Sua Excelência o Senhor Presidente da República, na noite de 17 de Outubro de 2017, transmitiu dirigindo-se A TODOS OS PORTUGUESES, visando em especial o comportamento e as atitudes dos governantes (PM, ministros, membros dos partidos que sustentam a “geringonça” … e seus inconsequentes seguidores).
    Se acreditam que, havendo lugar a eleições antecipadas, a “Associação da Esquerda” é capaz de alcançar de novo a maioria de votos nas urnas, tenham a coragem de aderir à Moção de Censura (OU ABSTENHAM-SE!).
    Se tal acontecer, até podem negociar um novo executivo no qual participem, não por fora, mas integrados no elenco governativo.
    Não é aliciante????

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  3. Sei do que falo, estive no centro do fogo, moro em serpins..... culpar uma pessoa ou um governo porque um grupo de terroristas decidiu pegar fogo ao pais.... é duma imbelicidade atroz....

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