terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Sinais quotidianos de mudança

1 - A desconvocação da greve do Metro é uma excelente notícia, que só poderá enfatizar a ideia de existir uma nova realidade em que o diálogo e a negociação passarão a substituir o confronto e a imposição autocrática de medidas anti laborais.
Ao contrário do que a direita irá proclamar, não se tratará de nenhuma rendição do governo PS ao PCP, mas do regresso a um dos princípios basilares da Democracia: entre patrões e trabalhadores terão de existir contratações coletivas, que resultem do equilíbrio de interesses de uns e de outros.
Compreende-se, pois, o susto da direita perante uma mudança tão drástica em relação ao que já julgava ao seu alcance: a destruição dos sindicatos e a imposição do «cada um por si e o patrão contra todos» nos que trabalham por conta de outrem….
Por isso é fundamental que a atual experiência governativa dure os quatro anos da legislatura e se recrie o mais duradouramente possível nos anos seguintes. Porque estava-se a criar uma inaceitável cultura de impunidade  nos empregadores e de indefesa humilhação nos que eles empregam.
2 - Curiosa a notícia do «Observador» em como os impunes algozes de José Sócrates já começam a ver o chão a fugir-lhes debaixo dos pés.
O pedido de Carlos Alexandre ao Conselho Superior de Magistratura para que investigue as contas bancárias e telefonemas e afira a sua suposta inocência nas fugas de informação no caso relativo ao antigo primeiro-ministro coloca-o encostado às cordas numa situação em que das suspeitas não se livra. Porque, assim não fosse, como se explica a reiterada conivência tida com rosário teixeira na imposição de medidas coercivas ao antigo primeiro-ministro sem que tivessem consigo sequer meios de prova, que sustentassem uma qualquer acusação? E, sobretudo, como tudo isso sucedeu, quando a direita precisava tanto de agitar o suposto espantalho da corrupção no antigo governo socialista para alcançar os objetivos eleitorais pretendidos?
Fracassada a estratégia, já que o PS parece estar de pedra e cal no governo, qual o interesse de a prosseguir? Não me admiraria que o procurador e o juiz se andem a sentir muito sós por esta altura…
3 - As sondagens da Aximage costumam ser por natureza  bastante negativas para o PS, mas até na mais recente, ontem conhecida, se detetam sinais de mudança no último mês, com o conjunto dos partidos da direita a perderem 1,2%, que se transferiram para o do governo. Por outro lado entre o PSD (35%) e o PS (34%) a diferença está abaixo da margem de erro do estudo.
E, para acabar de vez com a suposta ilegitimidade da nova solução governativa a sondagem é catastrófica para a direita: apenas 19,4% dos contactados ainda acreditam que António Costa governará pior do que passos coelho.
A tendência agora constatada só tenderá a acelerar-se nas próximas sondagens, se elas forem feitas com critérios minimamente objetivos…

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