domingo, 19 de agosto de 2018

Marcelo a dar o tiro de partida para quem for incumbido do seu obituário


Uma das notícias da imprensa deste fim-de-semana diz respeito à prevista última aula de Marcelo na Faculdade de Direito. Será daqui a algumas semanas e as televisões já estarão a preparar toda a parafernália de equipamentos necessários para não deixar escapar um instante que seja de tal evento. Em épocas de escassez de notícias com que preencham os tempos de antena os chefes de redação dos órgãos de (des)informação não quererão perder tal oportunidade.
De início, quando ouvi a notícia, reagi como de costume: «mais uma oportunidade para o vaidosão dar largas à sua empáfia!». Até porque os jornalistas apressaram-se a prever nessa escusa de voltar à cátedra a confirmação da vontade em concorrer a um segundo mandato presidencial. Mas, a seguir, surgiu-me outra reação igualmente pertinente: quando um lente dá a última aula aos alunos, mas sobretudo aos muitos convidados dispostos a regressarem aos anfiteatros universitários para compensarem as recalcadas frustrações de um tempo irreversivelmente consumido, sabe-se que é altura dos media lhes prepararem os obituários postos no congelador para dele serem retirados, quando a personalidade em causa ganhar lugar nas necrologias.
É isso que acontecerá a Marcelo: a última aula significará o prenúncio do dobre de finados, que não tardará a acompanhá-lo à última morada. As notícias sobre a sua morte anunciada não pecarão, porventura, por exageradas...



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