sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O empolamento de pequenos casos por quem mais nada tem!


Quem olha para o universo da comunicação social em Portugal tem de reconhecer o desfasamento da opinião publicada com a exprimida por quem não tem outra forma de se manifestar, que não sejam as redes sociais. A partir do momento em que a propriedade de jornais, rádios e televisões ficou concentrada em grupos económicos, que têm nos partidos de direita os provedores dos seus interesses, assistiu-se ao despedimento dos melhores jornalistas cujo trabalho era reconhecido como sério, objetivo e competente, ficando em seu lugar os que se acomodaram à condição de «vozes do dono».
Compreende-se assim que todas as notícias, que possam parecer desfavoráveis ao atual governo, ou aos partidos que o apoiam, sejam empoladas, comparativamente com todas passíveis de os favorecerem. Quem olha para a realidade do país por quanto possa lê-la nos jornais ou vê-la nas televisões, julga habitar um espaço caótico à beira da rutura social. E, no entanto, esse constante bombardeamento de notícias falsas, ou apresentadas de forma desproporcionada relativamente à sua importância, não consegue infletir o sentimento geral expresso pelos potenciais eleitores nas sondagens, invariavelmente a contracorrente do que desejariam os donos dessa manipuladora comunicação social.
Não tendo matéria substantiva a que se possam agarrar - num ano em que os incêndios faltaram à chamada e os boicotes de enfermeiros ou médicos ao Serviço Nacional de Saúde, ou dos professores ao serviço público de educação, não bastaram para tremelicar a sólida estabilidade do Governo - resta-lhes uma pífia alternativa descrita esta semana por Daniel Oliveira na crónica diária com que se despediu antes de ir de férias. Com a habitual consistência enunciou assim uma das tarefas centrais da comunicação social de hoje: “a de conseguir que, através de um tratamento sempre desproporcionado (seja qual for o alvo) do pequeno escândalo pessoal em relação aos grandes problemas políticos, vivamos todos alheados dos problemas políticos e continuemos a avaliar os eleitos por tudo menos pelo que fazem no cargo.”
Importa denunciar essa tendência para explorar o anedótico ou o mesquinho, em detrimento da abordagem da política com maiúscula, ou seja com rigor e em conformidade com o que se está a mudar para melhor neste país deixado à deriva por uma direita sem visão para encarar os tempos que virão.

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