segunda-feira, 2 de julho de 2018

Voltaremos a ter jornais de referência apesar de aventesmas à solta no Cavaquistão?


Ainda que deixando a versão de papel - exceto ao fim-de-semana - o «Diário de Notícias» encetou a tendência para os órgãos de informação de dimensão nacional se adaptarem ao perfil dos seus leitores que, se reproduzirem tendencialmente o voto em sucessivas eleições, são ideologicamente bem mais à esquerda do que a linha ideológica imprimida pelos seus donos.
Esta tarde soube-se que David Dinis acabou de se demitir do «Público». Embora seja cedo para antever quem se lhe seguirá, dificilmente será alguém tão notoriamente à direita quanto ele ou um dos seus mais detestáveis antecessores (José Manuel Fernandes). Para quem lê diariamente o jornal, como comigo sucede, mas nele quase nada identifica de comum com o seu pensamento político, há a esperança de que, por motivos meramente económicos, o grupo Sonae decida imitar o outro jornal lisboeta (descontados os pasquins) num certo aggionarmento  em relação aos seus potenciais compradores. É que conhecemos bastos exemplos de quem se tem escusado a contribuir com um euro que seja para propaganda declaradamente de direita. Já algo se ganhará se o barbudo João Miguel Tavares perder a sinecura, que ali lhe vai pagando o esforço de competir no campeonato do título do mais arcaico comentador do seu campo político.
Mas os mostrengos andam por aí como se viu este fim de semana numa obscura terra do cavaquistão, que decidiu recorrer a mesa de pé-de-galo para devolver momentaneamente à superfície o zombie mais sinistro da História lusa das últimas décadas. O que com nele pode surpreender é a convicção com que debita postas de pescada sobre assuntos de que ele é o principal culpado. Teria piada, se não fosse trágica, a sua crítica à construção de mais betão como face oposta da moeda, que se exprime pela redução do número de nascimentos no país. Mas não foi ele o maior entusiasta na construção de grandes obras públicas, que canalizaram muitos dos subsídios europeus para as empresas dos amigos, mormente dos que puderam criar esse polvo tenebroso chamado BPN, cujos desvarios andámos a pagar nos anos da troika? E quem andou a reduzir sucessivos direitos nas leis laborais, que potenciaram a precariedade e eximiram os millennials de criarem prole por não terem condições minimamente sólidas para lhes garantirem a adequada educação? É grotesca a circunstância em que vemos o ladrão a gritar em alta voz, que o delinquente é outro que não ele! E significativa a constatação de ainda haver quem considera a aventesma digna de ser homenageada.
Há uma outra perspetiva de análise da psique do orador de Sernancelhe, que merece ser considerada: não foram muitos os casos em que no Portugal democrático se deu razão à tese de alguns em como somos governados por doentes merecedores de internamento por constituírem casos patológicos consonantes com alguns dos mais conhecidos distúrbios psiquiátricos. O caso, que melhor corresponde a tal tese é a dessa múmia de Boliqueime: por muitos anos que viva será o doido varrido, que continua a julgar-se com a inteligência de um Einstein, sempre convicto das suas certezas e fugindo das dúvidas (que começariam por lhe pôr em causa todo o periclitante equilíbrio interior) como diabo da Cruz.

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