segunda-feira, 9 de julho de 2018

Os números que valem muitas palavras


Meio milhão de euros: foi este o valor aproximado que Nogueira Leite decidiu atribuir como bónus a quem, na Parvalorem, conta com mais de quinze anos de serviço, distinguindo-se, entre eles, os mais diletos colaboradores de Oliveira e Costa no BPN, donde vieram juntamente com todos os «ativos maus» (?) do banco cavaquista.  Há quem se escandalize com este injusto prémio a quem tanto porfiou para que as contas públicas levassem um rombo de mais de cinco mil milhões de euros, tanto mais que a generosidade do presidente da instituição pública não se estendeu a quem, nela, menos ganha e tem a evolução na carreira congelada.
Três mil milhões de euros foi quanto as alterações na legislação laboral impostas pelo governo PSD/CDS transferiram dos rendimentos de quem é explorado (fator trabalho) para quem se limita a receber dividendos (fator capital). Os acordos negociados por Vieira da Silva em sede de concertação social sabem a bem pouco e estão longe de reverter os equilíbrios anteriores, nomeadamente no respeitante à contratação coletiva. Por isso há quem afiance que sabe a pouco, a muito pouco....
Seiscentos e cinquenta mil milhões de euros é quanto valem as quinhentas maiores fortunas de França que, em apenas dez anos, triplicaram a sua riqueza. Antes da crise de 2008 representavam 10% do PIB, agora ultrapassam os 30%. Não admira que a luta de classes se agudize, mesmo que momentaneamente seja a extrema-direita lepenista a colher os louros da oposição às elites. Quando os explorados perceberem a ilusão em que se deixaram embalar poderão retomar a luta sob a coordenação de quem melhor conhece os trilhos para os conduzir a menos espinhosos caminhos.
Treze milhões de pessoas não encontram emprego no Brasil, vivendo num sufoco de quem lhe é negada qualquer esperança. Explica-se, assim, o desespero de Moro & Cª quererem manter Lula na prisão: é que frustrada a expetativa de possibilitarem, com Temer uma recuperação económica, que virou desastre social, sabem que o terreno minado está-lhes a ficar perigosamente debaixo dos pés podendo explodir a qualquer momento e lhes fazer pagar o golpe com que afastaram Dilma. Como diz uma velha canção do Chico «amanhã será outro dia!».
58 mil foram os militantes do Partido Popular que se deram ao trabalho de saírem do desconsolo em que se veem para votarem em quem sucederá a Rajoy. Se soubermos que o universo eleitoral dessa obsoleta direita espanhola ainda é de 860 filiados, pode-se considerar que o desinteresse coincide com a sensação de lhe estar reservado o tal caixote de lixo  da História. Com triturador incluído para não haver hipótese de ressuscitação.
Um em sete desesperados que procuraram atravessar o Mediterrâneo em junho, para virem ao encontro do que julgam ser um El Dorado, morreram na tentativa. O sul da Europa está a ser palco de um terrível genocídio perpetrado pela cumplicidade entre fascistas e complacentes Chamberlains do nosso tempo.

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