terça-feira, 24 de julho de 2018

Demasiado grande para falir?


Se fosse um Estado o banco HSBC seria o quinto mais rico do mundo. Mas, como não é, constitui uma daquelas instituições demasiado grandes para falirem, porque isso causaria uma perturbação sistémica em todo o sistema financeiro à escala global. Sendo tido como o banco chinês mais ocidentalizado conta com 300 mil funcionários no conjunto das suas sucursais, comandadas pela sede em Londres, mas com a parte mais significativa dos negócios a serem concretizados em Hong-Kong.
Antes da entrega da ex-colónia à China, o HSBC era uma instituição britânica. Hoje constitui a ponte entre a City de Londres e o mercado asiático cuja relevância não para de crescer. Mas os anos mais recentes têm-lhe sido turbulentos, ora porque ora se viu ameaçado de fecho nos Estados Unidos em 2012 pelo comprovado envolvimento no branqueamento de capitais oriundos do tráfico de droga ou de ditadores pouco recomendáveis do Terceiro Mundo - 180 mil milhões de dólares anuais, ou seja mais do que o Orçamento da União Europeia! -, ora pelo seu papel ativo nas fugas fiscais denunciadas pelo relatório Swiss Leaks.
Contra a determinação da senadora Elizabeth Warren, que ambicionava punição exemplar para um banco pouco criterioso na escolha dos seus clientes, o Tesouro limitou-se a passar uma coima insignificante, comprovando o sucesso das pressões políticas exercidas por George Osborne, o ministro das finanças de David Cameron, que agiu como insistente lobista na sua defesa. Hoje torna-se óbvia a impunidade com que o HSBC contorna leis e corrompe homens políticos, dispondo-se a servir de esforçado batedor do regime chinês para aumentar a sua influência na economia global, tratando nomeadamente de substituir o dólar pelo ainda tímido yuan como moeda de referência nas transações comerciais.

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