sexta-feira, 13 de julho de 2018

Se não se pode exterminá-lo, pode-se ao menos pô-lo a léguas?


A grande vantagem da estratégia comunicacional de Trump em relação à de Obama é que torna bastante mais claro aos europeus os desejos há muito escondidos pelo Pentágono. A mudança de Administração veio revelar com outra crueza o que se suspeitava em relação à nova fase da natureza imperialista de quem manda em Washington: que além-Atlântico existe a intenção de recuperar a situação de 1990, quando o tonto Gorbatchev entregou a Reagan, de mão beijada, a possibilidade de ser a única superpotência a mandar no planeta, fragilizando simultaneamente todos os seus principais concorrentes económicos e financeiros: a Rússia, a China e a União Europeia.
Por arroubos nacionalistas? Nem pensar: há muito que os presidentes norte-americanos só são eleitos se contarem com os importantes apoios financeiros da banca de Wall Street, das multinacionais petrolíferas e do gás natural e do complexo industrial-militar de que falava Eisenhower com confessada inquietação. Não se trata da tentativa de impor uma pax americana, mas de potenciar por seu intermédio os obscenos lucros dos seus «acionistas» e «investidores».
Quando se submete aos Estados Unidos para manter essa coisa absurda chamada NATO, os países europeus estão a pôr-se de cócoras perante quem mais os querem prejudicar no âmbito da distribuição dos rendimentos do comércio mundial. A declaração de guerra que Trump tem continuamente lançado contra o Canadá, o México, a China e a Alemanha deveria levar os líderes europeus a repensarem se são assim tão importantes as suas tão louvadas «cumplicidades» transatlânticas.
Ademais, já não se contentando com 2%, e exigindo que os parceiros europeus aumentem para 4% dos respetivos PIB as despesas militares, Trump mais não faz do que estender aos europeus as exigências já feitas aos japoneses para que reservem mais dinheiro da riqueza produzida para que importem da indústria militar norte-americana os gadgets tecnológicos, que o levam a equiparar a guerra a um qualquer videojogo.
Que esperam os europeus para se distanciarem atempadamente de quem apenas se finge de amigo para melhor os linchar?

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