domingo, 15 de julho de 2018

Para acabar de uma vez por todas com o uso de um chavão da direita


Há um par de anos, num dos debates da Universidade de Verão da Forum Manifesto, Pedro Nuno Santos foi veemente na recusa do termo «geringonça» para qualificar a maioria parlamentar, porque não deveriam ser os defensores da nova solução governativa a deixarem-se contaminar pela forma depreciativa como a eles se tinham referido Vasco Pulido Valente, e, depois, Paulo Portas.
Por concordar em absoluto com o político com quem mais me identifico no meu Partido sempre me tenho escusado a alinhar na referida terminologia. E, por isso mesmo, estou totalmente consonante com J.M. Nobre Correia, que veio recordar no facebook, o que sobre o assunto escreveu no seu livro «Teoria da Informação Jornalística» , recentemente publicado pela editora Almedina:
“[…] Assim, em Portugal, é jornalisticamente inaceitável que jornalistas e média se refiram ao XXI Governo Constitucional, apoiado por uma maioria parlamentar de esquerda, ou a esta maioria parlamentar, utilizando o termo claramente depreciativo de «geringonça», termo que tem por origem um «comentador» e um líder político pertencentes à área da direita mais conservadora. Recordemos aqui a definição da palavra «geringonça» que nos propõe o Grande Dicionário da Língua Portuguesa de José Pedro Machado: «coisa mal feita que se desfaz facilmente; qualquer coisa mal feita, armada no ar». Ou, mais recente, o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa: «coisa mal engendrada, tosca, mal feita e que ameaça partir-se ou dar de si». Ou, mais recente ainda, a do Grande Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora: «coisa mal feita e que se escangalha facilmente». Definições que põem em evidência as características negativas de tal «coisa». Desde logo, evocar o governo ou a maioria parlamentar utilizando o termo «geringonça» constitui, no mínimo, a prova da ignorância que reina entre muitos profissionais do jornalismo no que diz respeito ao conhecimento da semântica da língua portuguesa, ou é então a prova de uma vontade deliberada de propor uma conotação negativa à experiência política iniciada em novembro de 2015 […]"
Perante tais argumentos ainda fará algum sentido que, entre os defensores desta solução governativa, haja quem continue a citar tão desqualificados spin doctors? É que o respeito começa por o termos por nós mesmos e nestes mais de dois anos e meio a atual maioria parlamentar tem dado sobejas provas de ser muito mais do que essa coisa mal feita que se escangalha facilmente. Não só foi superiormente concebida como mostrará a sua solidez até ao fim da legislatura.

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