domingo, 5 de novembro de 2017

A propósito da coligação com o PSD em Almada

Eu também confesso que não gosto, mas poderia ser de outra forma? Quando andei a fazer campanha por Inês de Medeiros nas diversas freguesias almadenses nunca ponderei sequer que o resultado viesse a obrigar a uma coligação com o PSD, mas o comportamento dos comunistas na sessão de tomada de posse do novo Executivo mostrou como o despeito leva os derrotados de 1 de outubro a reagirem com o coração, que não com a razão.
Atrás de mim havia quem conjeturasse uma rápida desistência da nova edil para que novas eleições a curto prazo devolvessem a vitória ao PCP, por direito adquirido através do que tem sido o seu trabalho autárquico nos últimos quarenta anos. Espantosamente desconhecem ou querem esconder a cabeça de baixo da areia relativamente ao mau trabalho concretizado nos últimos quatro anos e que levaram muitos munícipes a contactarem de motu próprio a campanha de Inês de Medeiros para lhe pedirem urgentes mudanças.
Explica-se assim que, rejeitando acordos que, a nível local, replicassem os firmados na Assembleia da República, os comunistas encarem o mandato socialista como fera a abater contando para tal com a sabotagem interna e permanente dos serviços que, até há pouco controlavam..
Pode-se levar a mal que Inês de Medeiros tivesse assegurado a governabilidade da Câmara mediante acordo com o PSD? Se o PCP colocou-se fora de jogo, como contornar o facto de se contar apenas com a maioria relativa na vereação? Mas não foi isso mesmo que, há quatro anos, fez Bernardino Soares na Câmara de Loures? E quem, então, com ele se indignou? Algum dos que agora critica injustamente a coligação almadense, levantou a voz em protesto contra a facilidade com que, a nível das autarquias, o PCP se coligue com o PSD? 

2 comentários:

  1. Nada que o PCP na faça, amiúde. Neste caso a solução era esta é mais uma vez, pelo seu comportamento obrigou o PS a aliar-se ao lado direito. Convenhamos, pelo que sabemos sobretudo nos últimos quatro anos, mas não só, a gestão da CDU (leia-se PCP) foi um desastre.

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  2. Sou seu leitor assíduo porque me identifico com os princípios que defende, mas creio que nunca comentei uma postagem sua. Limito-me a colocar o "pico" no gosto. Hoje não coloquei porque não gostei. Explico:
    Resido há mais de 50 anos do Concelho de Almada. Desde que houve eleições (pós 25 de Abril) sempre votei PS, para a Câmara, para a Assembleia e para as Juntas (residi em várias freguesias). Até 2017, nunca tive a felicidade de ver o partido em que voto vencer a Câmara, pelo que foi com muita alegria que festejei a vitória deste ano.
    Porém quando esta semana li no Publico online que a Maria de Medeiros tinha feito uma coligação com o PSD, fiquei revoltado. É que eu não esqueço, não posso esquecer (e ninguém com sentimentos deveria poder esquecer) o castigo que me (nos) foi infligido pelo Governo do PSD/CDS. Pelo que ver o meu PS coligar-se com o seu próprio carrasco é duro de engolir e não aceito. Haveria certamente outras formas de governar a Câmara do que a solução, simples, que foi encontrada. Seria difícil governar em minoria? Seria, mas é nas dificuldades que se evidenciam os líderes. E, já agora, Loures não é exemplo para o caso e pouco me interessa porque não é o meu Concelho.

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