sábado, 18 de novembro de 2017

O que defendemos não é salário igual para trabalho igual?

Estava nos livros: abrisse-se a caixa de Pandora para os professores e logo outras classes profissionais - polícias e militares - aproveitariam para vir reclamar tratamento igual, com consequências imprevisíveis para a conflitualidade social e para os rombos nas Finanças Públicas.
Pessoalmente, e tendo vivido experiências profissionais em que existiam cargos hierárquicos a ascender (mas apenas em função da reforma ou da mudança de situação profissional dos que estavam em cargos acima!), tenho grandes reservas em relação a uma progressão apenas considerada em função dos anos de serviço. Sobretudo, porque isso colide necessariamente com o princípio fundamental defendido pelo ideário de esquerda, que é o de «a trabalho igual, salário igual».
Nesse sentido haverá justiça, que um professor com 60 anos - e uma avaliação semelhante - ganhe mais do que outro com 40, apenas por estar há mais tempo na profissão? Cumprindo ambos os mesmos horários, que justiça existe nesse pressuposto?
Podem-se considerar tratamentos diferenciados no sentido em que, porventura, por compreensível perda de capacidades físicas, haja um aligeiramento do horário do mais velho em relação ao mais novo, mas diferença de remuneração, ademais numa lógica de sobrevalorização do primeiro? Onde já se viu isso? Quer na interação com os alunos em salas de aulas, quer na preparação das mesmas, o trabalho não é igual?
Existe, pois, uma contradição de tomo entre as aspirações corporativas - com o que nelas subjaz de um ideário fascizante! - com a suposta defesa dos valores das esquerdas por parte dos sindicatos. Que um diretor de uma escola ganhe mais do que um diretor de turma compreende-se; que um diretor de turma ganhe mais do que um professor sem esse tipo de responsabilidades, idem. Que um comissário de polícia ganhe mais do que um dos seus agentes, idem a dobrar. Que um major ganhe mais do que um sargente, idem a triplicar. Mas que profissionais dos mesmos patamares de desempenho vejam diferenciadas as remunerações em função de terem maior ou menor antiguidade na carreira, não se compreende.
É verdade que na época do salazarismo costumava dizer-se que a antiguidade era um posto, mas tratava-se de tese precisamente da época em causa... 

1 comentário:

  1. Pois....já agora acrescento: Os professores mais antigos ficam assim libertos de acompanhar e enquadrar os mais novos, deixam de orientar estágios,deixam de coordenar grupos disciplinares e agrupamentos,deixam de coordenar secretariados de exames e outros, etc, enfim deixam de assumir as tarefas que sobre eles são descarregadas pelos directores com o singelo argumento de que têm de cumprir essas tarefas pois têm mais experiência e responsabilidade. E prontossss, estamos todos por igual, ou melhor, essas serão tarefas para os jovens professores pois ouvem melhor, vêem melhor, correm melhor e....o mais importante, têm mais capacidade produtiva etc etc. Conclusão, pois os profs mais novos devem é ganhar mais e na medida do seu envelhecimento vão ganhando menos. Isso é que era. Obrigado.

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