segunda-feira, 18 de setembro de 2017

O conformismo dos derrotados

Os articulistas do «Expresso» - pelo menos os do primeiro caderno, porque os do segundo quase todos são órfãos confessos da troika e ainda tardam em fazer-lhe o luto! - já se conformaram com a forte probabilidade de suportarem um Governo Socialista muito para lá de 2019. Acabada a época dos pirómanos e tendo poucas esperanças em verem a contestação laboral estender-se para além de 2 de outubro, só esperam por um D. Sebastião na liderança do PSD depois das próximas legislativas. Senão veja-se o que escreveu Pedro Santos Guerreiro na sua crónica do passado sábado: “António Costa está a beneficiar de um ciclo económico e a gerir um ciclo orçamental que são favoráveis a uma reeleição em 2019. É por isso que o líder do PSD eleito em 2018 poderá ser transitório e então os adversários de Passos podem preferir ir a jogo em 2018 para perder, posicionando-se para ganhar depois das legislativas.”
A entrevista com Miguel Relvas vai no mesmo sentido e vale a pena ser lida para constatar como ele já se anda a posicionar como eminência parda de quem possa vir a seguir. No entanto, se há momento alto dessa peça jornalística é uma das melhores anedotas da semana: o novo «doutor» constata que as direitas têm má imprensa, porque o Bloco de Esquerda estaria a dominar as redações dos órgãos de comunicação social pelo que pede encarecidamente a quem possa investir num novo grupo capaz de dar voz ao que designa como centro-direita. Seria o momento risível mais bem conseguido da semana se Passos e Cristas não viessem pôr-se em bicos dos pés a reclamarem a sua quota parte de «almeidas» na decisão da Standard & Poor’s.
Noutra vertente das direitas temos o inevitável Miguel de Sousa Tavares, que só muito raramente consegue acertar nas suas crónicas. Desta feita ele volta a bater nos seus inimigos de estimação - os funcionários públicos e os reformados - como se o governo apenas para eles estivesse a melhorar as condições de qualidade de vida. Como qualquer comentador, que utiliza o mesmo preconceito - muito na linha dos defensores do Estado reduzido ao mínimo - ele esquece voluntaria ou involuntariamente a medida de fundo, aprovada pela maioria parlamentar e com incidência em todos os trabalhadores portugueses, sobretudo os do setor privado da economia, que é aquele onde o recurso aos salários mínimos é maior: o aumento progressivo desse valor implicará um aliviar do cinto para muitos milhares de portugueses, que procuram sobreviver com tão parcos rendimentos.
A crónica do Miguel Sousa Tavares contém, porém, uma verdade incontestável a respeito da luta pelo aumento de 100% nos vencimentos dos  enfermeiros: “Conhecem alguma empresa privada (…) onde tal seja reivindicado e onde tal reivindicação mereça as honras de abrir todos os telejornais e de ser obrigatoriamente comentada pelo ministro da pasta, o PM e o PR?”

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