sábado, 16 de setembro de 2017

Não deveriam ter a importância que têm, mas ...

O PCP tem razão quando afirma não se justificar a importância conferida às agências de notação financeira cujo comportamento, e sobretudo interesses de quem as controla - não esqueçamos tratarem-se de entidades privadas, que nada devem a qualquer especulador das praças financeiras! - não corresponde a qualquer ímpeto regulador dos mercados, mas apenas a servirem de alibi a quem os pretende parametrizá-los de acordo com a intenção de adiar tanto quanto possível o crepúsculo definitivo do sistema económico vigente.
O capitalismo tem superado sucessivas crises com alguma agilidade, mas não consegue resolver o seu maior problema: só subsistindo se ampliar continuamente a dimensão dos mercados, eles têm na globalização os seus limites definitivos. Pode eventualmente desenvolver África de forma a torná-la num motor complementar capaz de replicar o que a Ásia representou desde os anos 70 da década transata, mas mesmo que esse processo se acelerasse o bastante para gerar um salto qualitativo no número mundial de consumidores a gula pelos seus recursos naturais significou a sujeição da população a níveis de competências muito limitadas. Se os males do colonialismo já estão bem denunciados, até por atirarem as culpas para Impérios já desaparecidos, mesmo que substituídos por Estados com nomes similares, os do neocolonialismo são obliterados das opiniões públicas por beneficiarem quem manda atualmente na economia mundial: os grandes monopólios transnacionais.
No entanto a notícia da nova notação da Standard & Poor’s, retirando Portugal da classificação de «lixo», tem a relevância de aliviar o grande aperto do governo de António Costa em conseguir sustentabilidade para os excelentes resultados conseguidos nestes quase dois anos de correção de todas as malfeitorias praticadas pelo executivo anterior. Com os juros a baixarem, torna-se possível um acesso menos dispendioso a recursos financeiros de primordial importância para virar de vez a página dos que pretendiam um país no diminutivo.
No esforço  político justifica-se não abrandar no combate a tudo o que a Moody’s, a Fitch ou a Standard & Poor’s representam, conjuntamente com quem comanda a financeirização das economias mundiais. Mas, por entre os pingos da chuva desse temporal, que afetará progressivamente este sistema de exploração de 99% da população mundial por 1% de plutocratas, caberá às esquerdas a tarefa de ir criando modelos alternativos de governação. E a atual maioria parlamentar constitui experiência inédita, que importa consolidar. Por isso mesmo a notícia de ontem à noite foi ótima para quem com ela se identifica e péssima para quem, nas direitas, continua a apostar em receitas sem amanhã...

 

1 comentário:

  1. Sejamos claros em relação a isto. As agências têm a importância que têm porque os Estados que dominam a Economia Planetária (EUA, Alemanha, China, Japão) permitem que elas tenham essa importância. E enquanto nós dependermos dos 'abomináveis' mercados para nos financiarmos, o que acontecerá enquanto acumularmos défices orçamentais, não vale a pena emitir queixumes quanto a isso. O que tem piada relativamente ao PCP e ao BE é que arrostam contra os Mercados para depois proporem políticas que correspondem a um aumento da dívida pública, que nos torna ainda mais dependentes do financiamento externo. O keynesianismo de Keynes era contra tal coisa, mas as propostas políticas mais recentes consistem em afogar a dívida em crescimento. Nisso a Direita tem razão, não se pode querer sol na eira e chuva no nabal... Por isso é que a via estreita de Centeno e Costa representa um caminho alternativo à receita troikista e ao eterno otimismo esquerdista, que nunca resultou a prazo em lado nenhum...

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