sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Hoje, como socialista, tenho de dar a razão ao Bloco de Esquerda

1. Há aspetos da governação socialista, que me são difíceis de engolir e um deles foi o de olhar para a proposta dos novos administradores para a Caixa Geral de Depósitos e encontrar nomes como os de Leonor Beleza, de Ângelo Paupério ou de Paulo Pereira da Silva, cujos conhecimentos sobre o negócio bancário eram mais do que uma incógnita e cujo entusiasmo pelo austericídio imposto pela troika não pode ser ignorado.
Sempre supus que Centeno e Mourinho Félix se sentissem de alguma forma obrigados a aceitar tais «cabeças de cartaz» por exigência de António Domingues para aceitar a liderança do Banco. Por isso fiquei assaz satisfeito com o chumbo do BCE a tais nomes, considerando estar-se a fazer justiça por linhas tortas.
Julgaria que as decisões da instituição de Mário Draghi desse a oportunidade ao governo de parecer mais sério nesta matéria, aproximando a composição final da Administração com o que a sensatez ditaria como desejável.
Afinal, contra tudo e contra todos - incluindo o Bloco de Esquerda, o PCP e a própria Comissão de Trabalhadores do Banco - o governo anuncia alterações da legislação para tornar legal o que foi agora dado como o não sendo. E, espanto maior, alega sermos um país pequeno pelo que torna-se natural que haja gente a acumular lugares de administração em várias empresas e bancos.
Não compro de modo algum esta tese, porque olhando para o número de cargos exercidos simultaneamente por gente como Marques Mendes ou António Vitorino, entendo-o como condenável e propiciador de situações ambíguas típicas do lobying, senão mesmo de manifesta corrupção.
Ademais, quando uma nova Administração nem sequer coopta para integrá-la nenhum alto quadro do Banco - que seria quem melhor lhe conheceria os pontos fortes e os pontos fracos - há muito que colocar em causa no que, a este respeito, vem sendo feito. Por isso só posso apoiar a oposição que o Bloco e o PCP já prometem avançar nesta matéria...
2. Se não fosse trágico, o discurso do cleptocrata que ainda comanda os destinos dos angolanos e aproveitou a tribuna do Congresso do MPLA para dissociar o que, em seu entender, são os bons e os maus empresários, tornar-se-ia em algo de risível: Não devemos confundir os empresários com os supostos empresários que constituem ilicitamente as suas riquezas, recebendo comissões a troco de serviços que prestam ilegalmente a empresários estrangeiros desonestos, ou que façam essas fortunas à custa de bens desviados do Estado ou mesmo roubados”  e acrescentou a necessidade de “apoiar mais os empresários com provas dadas”.
Não temos dúvidas, que estes “empresários” com provas dadas são os filhos e os amigos de Zédu, que conseguiu transformar um dos mais promissores países africanos num desolador cenário de pobreza e de injustiça para quase todos, a fim de garantir os obscenos privilégios de um punhado ínfimo de beneficiários.
E, quando o Parlamento luandense prepara legislação ainda mais repressiva contra a liberdade de imprensa e de expressão de pensamento, custa ver na presença de todos os partidos portugueses, à exceção do Bloco de Esquerda, a caução para todos os dislates dos que, arrogantemente, se julgam infinitamente no poder.


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