domingo, 14 de agosto de 2016

Foz Coa: o exemplo paradigmático de como a direita e a esquerda olham para a Cultura

A passagem do 20º aniversário da criação do Parque Arqueológico do Foz Coa serviu para recordar a difícil luta vivida por quem então enfrentou o lobby  da EDP para o qual a construção de uma barragem era mais importante do que garantir a preservação de inscrições paleolíticas cuja relevância decorria de não existir algo de semelhante ao ar livre em mais nenhum lugar do mundo.
Não admira que os campos se tenham extremado entre a esquerda e a direita: o cavaquismo, na sua lógica de cobrir o país de betão, intentava levar a obra por diante apesar de Mário Soares, presidente da República, ser um dos apoiantes da sua travagem, E foi António Guterres, ao tomar posse como primeiro-ministro a tirar as ilusões aos que priorizavam a economia a curto prazo - ou pelo menos os cofres da EDP! - do que para ela poderão contribuir a Cultura, mormente a relacionada com a História do nosso território-
Passados todos estes anos, o país ainda não conseguiu potenciar essa descoberta, o que muito se deve ao abandono a que a direita a devotou: os meios colocados ao dispor de quem dirige o Parque não são suficientes para evitar a situação paradoxal de não existirem visitantes suficientes para lhe cobrirem os custos, mas faltarem jipes e guias para garantirem a satisfação da curiosidade dos que ali acorrem sem pré-marcação e dão de caras com o “convite” para aí voltarem uma ou duas semanas depois, que é quando poderão ter vaga para tal. Quantos visitantes se perdem todos os anos à conta da incúria manifestada por quem deveria criar-lhes as condições para fazerem dessa passagem por ali algo de verdadeiramente memorável?
Estamos assim perante um achado arqueológico conhecido além-fronteiras e elogiado pelos maiores especialistas do período em causa e não lhe garantimos as condições para que se torne num local de visita obrigatória para os muitos turistas que nos visitam, nomeadamente pelos que fazem cruzeiros no Douro e ali se poderiam deslocar se se providenciasse num cais adequado para o efeito.
Valha-nos a intenção do ministro da Cultura, que tomou conta deste dossiê e promete encontrar soluções para lhe dar o devido seguimento. Esperemos que, uma vez mais, se confirme a grande distinção entre uma direita que trata tudo quanto lhe cheira a cultura a pontapé e uma esquerda, que procura as melhores soluções para que ela sirva devidamente as populações e a economia no médio e no longo prazo.


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