sexta-feira, 12 de agosto de 2016

A delação como doença infantil da direita

Uma das características mais ignóbeis nos comportamentos humanos é a da delação. Gente mesquinha e medíocre aproveita-se de regimes totalitários e de legislações confusas para mostrar a sua índole e pôr em causa a idoneidade e a própria segurança alheia.
No tempo do fascismo eram conhecidos como «bufos», mas essa postura não conhece fronteiras sendo conhecidos casos famosos de atitudes similares noutras latitudes, que se colaram como mancha indelével no currículo dos seus autores. Veja-se o exemplo de Elia Kazan, o realizador de que tantos idolatraram o filme «Esplendor na Relva» com Natalie Wood e Warren Beatty, e que na década de 50 denunciara um número apreciável de amigos á comissão do senador McCarthy, dando-os como comunistas e condenando-os assim a uma vida de párias numa Hollywood, que doravante lhes fechou as portas.
Vem tudo isto a propósito da denúncia de alguns deputados da direita no Parlamento Europeu a propósito do trabalho político de José Gusmão enquanto dirigente do Bloco de Esquerda e colunista de jornais, que extravasaria a sua condição de assessor de Marisa Matias.
O visado nem sabia que deveria avisar a instituição europeia dessas funções complementares e aprestou-se a corrigir a omissão de informação, mas fica bem demonstrada a menoridade desses seus «colegas» portugueses, que andam à procura de todos os motivos para comprometerem e, se possível, deitarem a perder todos quantos se lhes opõem.

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