sábado, 17 de março de 2018

As tendências estatísticas do nosso contentamento


Não é por as sondagens favorecerem os nossos, que nos devemos iludir com os seus resultados: por muito científicos que sejam os métodos estatísticos utilizados, quase se torna irresistível orientá-las numa determinada direção conquanto seja essa a tentação inconsciente de quem define os critérios e a amplitude da amostra. Ainda assim a que ontem foi conhecida confirma as tendências anteriores,  mesmo as de outras proveniências, e coincidentes em três sugestões principais: mesmo que a quase dois anos de distância não é descabido prever a forte possibilidade do Partido Socialista alcançar a maioria absoluta; os parceiros à esquerda tenderão a manter a dimensão atual do apoio do eleitorado; à direita, as habilidades de Cristas dificilmente surtirão efeito para que o CDS abandone a condição de potencial apêndice menor do seu putativo aliado numa coligação de interesses, que se sobrepõe à dos valores porque, desfeitos muitos dos mitos neoliberais, ambos os partidos limitar-se-ão a emitir ideias vagas para abocanharem o que mais lhes interessa - uma fatia significativa de poder.
A episódica subida de Rio explicar-se-á pelo efeito de novidade decorrente do Congresso do PSD, substituindo o mais do que desacreditado antecessor. Mas, apesar da promoção garantida pelas televisões, o CDS não conseguiu replicar esse efeito, até pressupondo-se o contrário: em vez de encararem séria a empáfia de Cristas, os que a ouviram devem ter detetado, sobretudo, o seu ridículo.
Insatisfeitos com Rio, em cujo insucesso vêm apostando, e não encontrando na sucessora de Portas a estrela ascendente, que pretendiam fazer brilhar no firmamento, os que dão tratos à cabeça para evitar o sucesso socialista em 2019 devem andar atarantados com os flops sucessivos da sua estratégia. Sobretudo , porque de nada lhes parece valer a frequência quotidiana com que bombardeiam mediaticamente os portugueses com os diabólicos perigos em que incorrem em pontes, comboios ou  sarampos.

1 comentário:

  1. Meu caro, quer prever o resultado das eleições de 2019 a 18 meses de distância? Basta outro Verão como o de 2017 e Costa nem para uma Junta de Freguesia conseguirá ser eleito. A realidade não se conforma com os nossos desejos por muito que tentemos fazer força, é algo exterior a nós.

    Se um mês é muito tempo em política, Theresa May que o diga, um ano e meio é uma perfeita eternidade...

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