sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Porque uns sobem nas sondagens e outros vão descendo


Deixei de ouvir o latir do cão que uns vizinhos do prédio ao lado costumam ter à varanda no primeiro andar. Não quer isso dizer que o animal seja mal tratado, porque a varanda está fechada com uma marquise e fica com a janela semiaberta para olhar para a rua, quando lhe dá na vontade, enquanto os donos se ausentam para as obrigações profissionais.
Aos cá de casa o cão não costuma ladrar. Já nos conhece e sabe daqui não haver qualquer perigo. Mas acaso desconfie de quem percorre a rua e ouve-se-lhe a ruidosa manifestação de alerta. O que desagrada a um outro vizinho, conhecido militante comunista que, nos últimos dias, chamou a polícia por duas vezes a reclamar quanto ao barulho. E, em ambos os casos, o animal ficou cingido ao interior da casa, deixando de manifestar a sua presença.
O caso suscita-me breve reflexão sobre o motivo porque o PCP vai caindo nas sondagens e começa a ter-lhe o PAN a morder-lhe as canelas. Mais: também explica, porque, nos estudos feitos por alguns dos organizadores dessas sondagens se compreende que, na faixa do eleitorado onde o PAN conhece maior sucesso - o dos jovens entre os 18 e os 24 anos - o PCP quase não surge aí representado.
Confesso ter pouca simpatia pelo PAN, que considero um partido populista sem uma ideologia bem definida para além das causas de que se faz arauto. Mas reconheço que pode desempenhar influência relevante para que acabem as touradas e outros espetáculos degradantes com animais penalizando-se os autores dessas e outras crueldades. E essa pode ser a razão, porque o PCP definha e o PAN aumenta de importância: porque têm sido frequentes as tomadas de posição absurdas dos comunistas com o PSD e o CDS para manter as touradas ou a proibição para se alimentarem os animais abandonados, que procuram sobreviver nas difíceis condições a que os antigos donos os condenam. Por muito que os comunistas de algumas vilas - Barrancos, Coruche - temam os efeitos de relegarem as tradições taurinas para os bárbaros, que ainda delas se orgulham, poderiam ver-se melhor recompensados se olhassem para os valores defendidos pelas gerações mais novas e soubessem com elas comunicar. Impediriam assim que uma coisa híbrida como é o PAN ganhasse uma relevância que não merece...

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