sábado, 12 de agosto de 2017

Frustrados à solta … por enquanto

Continuando os incêndios a rivalizar com os primeiros jogos da nova época de futebol enquanto temas prioritários da atividade informativa das nossas televisões, forçoso é virarmos as antenas para os Estados Unidos onde se agudiza a confrontação entre a extrema-direita, que levou Trump à Casa Branca e a grande maioria de cidadãos que se lhe opõem.
Em aparência podemos sentir alguma inquietação com três tipos de sinais de dimensão distinta e agora na ordem do dia: um deles teve a ver com o tal engenheiro da Google, que se viu despedido, depois de acusar a empresa, e em geral todas as de Silicon Valley, por estarem dominadas por uma “cultura de esquerda”, que explicaria os prejuízos de rentabilidade causados por recrutamento de mulheres e de pessoas de outras minorias, quando, a seu ver, e de acordo com “conclusões científicas” que ninguém avaliza, os brancos norte-americanos seriam muito mais competentes e produtivos.
O sexismo e o racismo de tal energúmeno deu para concluir que, em certos aspetos, recuámos cinquenta anos e torna-se urgente recuperar as grandes lutas dos anos 60 em prol da defesa da Igualdade das Mulheres e dos Direitos Cívicos. Uma vez mais conclui-se não existirem vitórias definitivas, nunca se devendo baixar a guarda quanto ás resistências dos que se sentiram por elas derrotados.
Claro que esse engenheiro logo se tornou num herói para a extrema-direita, que o apresentou como mártir nas suas lutas contra o “politicamente correto”.
Foi essa mesma área política que se manifestou este fim-de-semana em Charlottesville, na Virgínia, a pretexto de ter sido removida uma estátua do general Lee, um dos heróis dos confederados esclavagistas. Os números oficiais apontam para um máximo de seis mil fascistas num desfile pelas ruas da cidade, e sobretudo, junto ao campus universitário, mas conseguiram impressionar pela similitude dos seus rituais com os dos nazis. Embora silenciando-se durante demasiado tempo para ver até que ponto conseguiria cavalgar uma onda de apoio a esse movimento, Trump lá teve de, a contragosto, o vir condenar. Se tinha dúvidas a rejeição nacional a tais criminosos obrigou-o a contrariar os seus tenebrosos sentimentos.
O terceiro sinal continua a ser protagonizado por Trump, que tanto ameaça atacar militarmente a Coreia do Norte como a Venezuela, muito embora a China e a Rússia já lhe tenham oposto linhas vermelhas quanto ao primeiro daqueles potenciais conflitos: ficarão neutrais se a iniciativa de ataque for de Kim Jong-un, mas nunca permitirão, que se altere o atual equilíbrio de forças na península em causa.
Embora os media explorem o medo de um eventual conflito nuclear, ele será pouco crível. Pelo contrário: quer na campanha misógina do ex-empregado da Google, quer na demonstração de força neonazi, quer no inevitável recuo de Trump na sua retórica idiota, serão esses promotores dos preconceitos do passado a terem de meter a viola no saco e a dedicarem-se a bem mais inofensivas catarses dos ódios que os habitam.

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