sábado, 3 de dezembro de 2016

O dever de tudo questionar, tudo equacionar

Parece enfim abrandada a fúria anticomunista primária, que animou as redes sociais nos últimos dias, tendo por estímulo a morte de Fidel.
Na «Quadratura do Círculo» Pacheco Pereira diria, com inteira razão, que a maioria dos defensores das teorias sobre todas as ditaduras se equivalerem, só denotavam uma ignorância total da História dos povos sobre que se atreveram a pronunciar apressados juízos maniqueístas.
Na maioria dos casos esses defensores da aparência de democracia, que constituem os regimes ocidentais, esquecem que os direitos conquistados pelos trabalhadores durante todo o século XX resultaram do medo dos patrões quanto a verem replicadas em seu prejuízo as réplicas da Revolução Bolchevique de 1917. E que o persistente ataque a esses mesmos direitos passou a ganhar maior ímpeto com a queda do muro de Berlim.
Quantos dos que se atreveram a dizer disparates sobre as realidades cubanas ou afins não estiveram a dar tiros nos pés por já terem visto e si cerceados muitos dos direitos, que tinham chegado a conhecer com a Revolução de Abril? Quantos precários terão engrossado a turba que se contenta com liberdades formais (regimes multipartidários, suposta liberdade de expressão e de imprensa, na realidade só para quem detém os meios para tal, etc) e se esquece que democracia é também o direito á saúde e à educação, que o ocidente transformou ou quer transformar num negócio?
Às vezes sinto algum constrangimento por ver os meus contemporâneos mais dados ao papaguear o tipo de discurso neles inoculado por jornais e televisões a soldo dos seus respetivos patrões do que a pensarem pela sua própria cabeça, começando por pôr em causa e a questionar todos os lugares-comuns, que se convencem serem de sua lavra. Na maior parte dos casos nem sequer se apercebem que são meras caixas de ressonância de altifalantes, que repetem incessantemente as mesmas mentiras a ver se elas se assumem coletivamente como verdades incontestáveis. 
Mihaly Munkacsy's

1 comentário:

  1. Vai desculpar-me mas não consigo olhar para a História com a visão cínica de que ela é um jogo de soma nula. Os nossos direitos, liberdades e garantias não podem depender da supressão dos direitos de outros povos. Nesse sentido e mau-grado a ofensiva da Direita nos últimos trinta anos, só pude exultar com a queda do muro de Berlim e a liberdade para o Leste Europeu (menos com o fim da URSS, sobretudo tendo em conta o que se seguiu e que abriu as portas a Putin). Espero que em dia não muito distante também se acabe a ditadura comunista em Cuba. E já agora, lembro-lhe que Castro não era um herói romântico. Era um herói, mas também um vilão que nada tinha de romantismo e estava inclusive preparado para levar o mundo na sua queda. Durante a crise dos mísseis de Cuba, Castro escreveu a Khrushchov defendendo um ataque nuclear preventivo contra os EUA em caso de invasão de Cuba pelos Americanos... (ver http://www.pbs.org/wgbh/americanexperience/features/primary-resources/jfk-attack/). É de alguém assim que alguns querem celebrar o legado...

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