quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Daech: o nascimento de um Estado terrorista

O Daech - palavra árabe para designar o Estado Islâmico no Iraque e no Levante - possui hoje um território equivalente a metade da França  e uma fortuna comparável ao de um país africano.
Controla bancos, entre os quais o de Mossul onde existiam 500 milhões de dólares em reservas, poços de gás natural, reservas de fosfatos, stocks de trigo e de centeio. A sua riqueza é inacreditável, pois atinge os 2 a 3 mil milhões de dólares de acordo com as estimativas dos serviços secretos ocidentais.
A organização tornou-se numa espécie de Estado pária que atrai militantes  e combatentes do mundo inteiro.
Desconhecida há um ano atrás, esta start up do terrorismo nasceu no Iraque durante a ocupação norte-americana e converteu-se numa multinacional do terror.
O documentário «Daech: o nascimento de um Estado terrorista» foi agora estreado e procura responder a diversas questões: como surgiu e qual o seu modelo económico? Até que ponto ainda pode ampliar a extensão do seu atual território? Como lutar contra uma estrutura, que já não depende de financiamentos exteriores?
Os jornalistas Jêrome Fritel (que já assinara o excelente «Goldman Sachs - o banco que dirige o mundo») e Stephan Villeneuve partiram em novembro de 2014 para o Iraque para aí permanecerem durante um mês. O objetivo era investigarem in loco essa organização terrorista, que baralha todos os fatores geopolíticos da região.
Rodado como um road movie o documentário leva-nos às fronteiras do Iraque, do Cusdistão e da Turquia com o território controlado pelo Daech.
Os autores dão a palavra aos que, voluntariamente ou à força, trabalham sob o domínio da organização e descreve como funciona esse Estado autoproclamado.
Os atuais e os anteriores responsáveis pelo governo iraquiano explicam como o Daech espolia o Iraque de uma parte significativa das suas riquezas. Graças a empresas sedeadas nos territórios, que ocupam, conseguem aceder às redes bancárias internacionais.
Para além dos êxitos militares o Daech revela ser um projeto comercial a funcionar na lógica dos cartéis do crime organizado.
Como explica Jêrome Fritel: “ nos territórios que controla, o Daech tem o apoio das populações sunitas. As outras comunidades foram obrigadas a fugir.
Hoje, a luta contra esta organização terrorista escamoteia a guerra mais vasta entre sunitas e xiitas, que se traduz em fluxos ininterruptos de refugiados e na limpeza étnica nos dois lados da barricada”.

1 comentário:

  1. Abraham Chévre au Lait12 de fevereiro de 2015 às 09:03

    Escreve-se um linguado inteiro sem que apareça a pergunta óbvia: porque surge a necessidade de uma coisa como o Estado Islâmico? Não interessará a ninguém as necessidades,os antecedentes históricos,as imposições religiosas,as condições de vida,etc.,etc., daquelas populações? Tudo se trata ao nível da Casa dos Segredos! Quando aparecerem as Kalash 47 chamai pela Sta, Teresa Guilherme!

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