sábado, 7 de fevereiro de 2015

António Costa e os que o criticam

Há muitos socialistas, que se empenharam ativamente na eleição de António Costa e se mostra agora insatisfeitos com a forma como ele tem liderado a Oposição ao governo de passos coelho. Acusam-no de não ser tão ostensivo a denunciar cada patifaria dos ministros laranjas, como se a questão da maioria absoluta nas próximas legislativas dependesse mais do volume de decibéis com que discursa do que da inteligência do que diz. E, relativamente à Grécia de Tsipras, não o veem tão entusiasmado com os sinais dali provenientes quanto desejariam.
Vamos lá então à minha declaração de interesses: apoiei entusiasticamente António Costa e voltaria a fazê-lo se por hipótese houvesse agora uma nova consulta aos militantes e simpatizantes.
Apoio entusiasticamente o governo de Tsipras e desejo muito sinceramente que tenha o maior dos sucessos, demonstrando aos timoratos, que ou se abaixaram a merkel (como Hollande) ou a incensaram como se fosse a nossa senhora de Berlim (como passos), que há mais vida para lá da estúpida austeridade.
Não darei, pois, qualquer cêntimo para um peditório de crítica a um ou a outro. António Costa tem o seu calendário bem definido e cumpri-lo-á escrupulosamente de forma a potenciar o mais possível a votação do eleitorado socialista.
Esperar que ele gaste munições nesta altura, quando as eleições ainda estão relativamente distantes, seria inconsequente: uma dinâmica de vitória constrói-se em crescendo e não pode iniciar-se demasiado cedo sob pena de perder o gás na precisa altura em que mais falta ele fará.
Que os meus camaradas tenham calma com os desejos de definições a respeito do pagamento da dívida e da sua necessária renegociação. É que tudo quanto se passar em Atenas corresponderá a uma forte sacudidela em toda a União Europeia. Para quê arriscar agora decisões num ou noutro sentido se nenhum analista conseguirá, nesta altura, prever como estará a Europa daqui a seis meses? Por isso mesmo António Costa só tem de manter-se firme na leitura há muito definida e inquestionável: “É claro que a ideia de austeridade como caminho para o crescimento económico foi um fracasso e que é necessário travar a austeridade para criarmos condições de crescimento económico.”
Confirmando uma consonância de objetivos entre o PS português e o Syriza, João Galamba nega que a direção socialista subscreva as ideias retrógradas expressas esta semana por Francisco Assis ou António Vitorino. Pelo contrário, ele asseverou que “o que temos é de libertar recursos para a economia; o modo como isso se faz não é o mais importante. Os gregos só estão a tentar atingir, por outra forma, os mesmos objetivos.”
Pedro Nuno Santos também confirma a simpatia implícita à irreverência do novo governo grego e à sua estratégia de ser realista pedindo o impossível: “o objetivo é libertar recursos e há várias formas de conseguir esse objetivo. António Costa não fecha a porta a nada. A Grécia está num processo negocial sem precedentes. Se o Governo grego não tivesse partido para a negociação com uma exigência de reestruturação de 50 por cento da dívida, não tinha margem negocial com amplitude suficiente para poder fazer cedências e, mesmo assim, conseguir uma vitória para o seu país.”
O que os críticos de António Costa não querem ver é a racionalidade da sua estratégia, que mantém várias vias em aberto para optar por aquela que melhor o aproxime dos objetivos de crescimento e de criação de emprego por que o país tanto almeja... 

4 comentários:

  1. Meu Caro:
    Sinceramente eu também estou um pouco desiludido com A. Costa, nomeadamente quanto ás escolhas que fez. Não apostou em jovens quando tem tanta qualidade na bancada do parlamento, apostou na velha guarda, não inovou, acho-o muito ambiguo, sem uma estratégia global totalmente alternativa a este governo neo-liberal incompetente, e temo que os Vitorinos Assis Vital Moreira, que são assim me parece infiltrados da direita e que de socialistas pouco têm venham a ter posições de relevo no PS.

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  2. Já agora gostaria que lessem o comentário de Miguel Sousa Tavares "António diga alguma coisa Porra" Ali está escrito tudo o que a maioria das pessoas pensa da falta de intervenção como lider da oposição de António Costa

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  3. Subscrevo!! Ele tem o seu calendário bem elaborado!

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  4. ~ O SYRIZA e Tsipras são um sucesso importante na Grécia e uma lição para os líderes europeus, mas isto não quer dizer que situação semelhante seja boa para nós.

    ~ António Costa tem toda a razão em manter uma posição atenta e ponderada, ou seja, inteligente.
    ~ Sabemos que todos os blogues comunistas portugueses comemoraram a vitória de SYRISA...
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