quarta-feira, 8 de abril de 2020

Os reaças continuam ativos entre nós


Já o tenho aqui escrito, mas vale a pena reiterar o que se pode concluir do ouvido de algumas criaturas nestes últimos dias: as nossas direitas ideológicas têm uma tal falta de imaginação, que não veem outra alternativa senão a de reciclarem argumentos metralhados repetidamente noutras ocasiões. Agora foi o diretor do «Expresso» a dar o mote: para ele os funcionários públicos deveriam sofrer cortes nos salários, já que existem tantos trabalhadores em lay-off ou mesmo desempregados. E Daniel Bessa - aquela aventesma nortenha de quem a direita gosta tanto de repetir ter pertencido, mesmo que efemeramente, a um governo de António Guterres (o que só comprova as limitações do atual secretário-geral da ONU nos tempos  em que foi primeiro-ministro!- vem relançar o tema da “peste grisalha” sugerindo que os países do Norte só acedam à facilitação do financiamento à economia portuguesa nos próximos tempos se os pensionistas levarem violento corte nos rendimentos.
Seria pelo menos interessante ver as direitas adornarem-se de argumentos e táticas novas, mas a sua mediocridade é tal, que se contentam em fomentar os ódiozinhos entre trabalhadores do setor privado versus setor público ou das gerações mais novas relativamente às mais maduras. Porque sabem os perigos que existem quando os trabalhadores se unem, independentemente de quem têm como patrões, ou quando novos e velhos se põem a desejar aquilo que o poeta Aleixo designou como um “mundo novo a sério”.
Nestas primeiras tentativas, nem o Vieira Pereira do «Expresso» nem o Bessa conseguiram grande eco das suas palavras. Pelo contrário logo se levantou um clamor dos que bradam contra o regresso das intenções espúrias de tão desafinados bardos. Mas deveremos estar atentos, porque eles não desistirão à primeira, logo voltarão quando julgarem mais propícia a ocasião para reiterarem o que agora só lhes terá servido de teste apara aferir a reação. Como se dizia nos tempos subsequentes à Revolução de Abril convirá estar atentos, porque os reaças continuam ativos entre nós.

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