quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Professores, segredo de Justiça e baston(incendi)ários!


1 - Elucidativa a confirmação em como, nem o PCP, nem o BE, levarão a questão das carreiras dos professores à mesa das negociações com o Governo sobre o Orçamento. É que, estando a aproximarem-se as eleições e tendo em conta a imagem negativa que se vai associando a essa classe profissional junto da maioria dos portugueses, dissociar-se dela constitui aparentemente uma estratégia de contenção de danos depois de a eles se lhes terem excessivamente associado. Os votos que podem ganhar de um lado, podem não compensar os que possam perder pelo outro...
2 - 520 mil alunos receberam manuais escolares gratuitos neste início do ano escolar. As escolas passaram a ter uma maior liberdade de definirem os projetos pedagógicos que queiram aplicar aos seus alunos com a entrada em vigor da flexibilidade curricular agora generalizada a todo o universo das escolas públicas depois de ter sido anteriormente testada em experiências-piloto. E as moradas falsas deixaram de ser problema nas matrículas.
Três exemplos muito positivos, que contrastam com o que era a realidade do início do ano escolar, quando o ministro chamava-se Nuno Crato. Estranhamente um sujeito, que Mário Nogueira nunca destratou como agora o faz para com o atual titular da pasta...
3 - E apreciaram a forma como o mesmo Nogueira embatucou quando lhe pediram para comentar o Relatório «Education at a Glance», que demonstra ascender a mais de 35% o que os professores portugueses ganham em média acima dos demais trabalhadores qualificados?
Há números que, por si mesmo, substituem calhamaços de argumentos!
4 - Nos últimos dias as direitas deram sinais de conhecerem informações em segredo de Justiça relativamente ao roubo de armas em Tancos e não hesitaram em agitar-se com o oportunismo do costume. E Marcelo também não enjeitou a hipótese de ter sido contemplado com as fugas propiciadas pelos procuradores incumbidos do caso.
Só as esquerdas parecem nada saber do que se supõe estar em causa. O que não se estranha: a partidarização dos subordinados de Joana Marques Vidal tem sido tão óbvia, que compreende-se bem o nervosismo das direitas perante a forte possibilidade de a verem removida de um cargo, que não dignificou.
Em nome da necessidade de voltar a apartidarizar o Ministério Público essa substituição é uma questão de higiene cívica...
5 - Outro incendiário, que bem dispensaríamos de ver a atear fogos onde eles não existem é o bastonário da Ordem dos Médicos que, aproveitando a demissão dos diretores clínicos do Hospital de Gaia, quis lançar o pânico afiançando que, a partir do dia 6 de outubro, eles abandonariam os cargos, deixando a instituição entregue ao caos generalizado. Afinal os médicos em causa já o vieram desmentir, prometendo ficar até lhes arranjarem os substitutos.

1 comentário:

  1. O autor deste artigo, Jorge Rocha, é um socialista que habitualmente escreve com sentido crítico e fundamentação bastante para ter uma visão tendencialmente objetiva da realidade.
    Todavia creio que neste texto se deixou capturar por uma visão pscentrica ( o PS como centro exclusivo da análise) segundo a qual tudo que possa contrariar os propósitos imediatos do PS é obrigatoriamente mau.
    Só assim se entende que tenha sido contaminado pela onda de ódio destemperado que alguns setores do PS têm procurado fomentar contra os professores e contra o seu mais conhecido dirigente sindical ou que não veja no bastonário da Ordem dos Médicos mais do que um incendiário político.
    O sectarismo partidário é, na esquerda portuguesa, um mal terrível que esperava tivesse em Jorge Rocha um resistente. Desta vez parece ter cedido.
    Na realidade os professores, como quaisquer outros trabalhadores, têm razão quando querem que todo o tempo de serviço que trabalharam (9A4M2D) lhes seja integralmente contado para todos os fins legalmente previstos. Até aceitam que os efeitos financeiros dessa contagem sejam faseados ao longo do tempo. O Governo, antes das eleições autárquicas, comprometeu-se com essa solução.
    Quanto à OCDE e aos seus estudos, habitualmente de cariz neoliberal, muito haveria para dizer. No campo da educação (que conheço razoavelmente) já várias vezes usaram dados completamente falseados para obterem conclusões que convirjam com as suas opções.Nesta situação concreta (vencimentos dos professores) por exemplo não articulam os dados com exagerado envelhecimento da profissão docente em Portugal (professores mais velhos tenderão a estar no topo da carreira) Admito que a luta assumida pelos professores ao longo de décadas lhes tenha possibilitado (nomeadamente aquando da última grande reestruturação de carreiras na Função Pública no Governo de Cavaco Silva) algumas condições de progressão menos obstruídas do que aquelas que resultaram para alguns outros setores da administração pública: mas também há na Função Pública (sem considerar sequer o setor empresarial do Estado) carreiras consideravelmente melhores do que a dos professores.
    Mais teria para dizer de um artigo infeliz de um articulista que considero.

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