sábado, 26 de maio de 2018

Eu, espectador do Congresso Socialista, confesso-me entusiasmado!


O XXII Congresso do Partido Socialista não está a correr de feição para quem apostava em secundariza-lo por trás de notícias alternativas, que quase o tornassem despercebido à maioria dos portugueses. Para azar dessa gente acolitada na comunicação social manifestamente alinhada com as direitas, não há desgraças (incêndios, atentados, etc.), que servissem de alibis para mudar a atenção das câmaras para longe da Batalha ou se, contra António Costa, surgissem potenciais opositores, que atraíssem a si protagonismos consistentes. Só que Daniel Adrião reduziu-se à sua insignificância, Sousa Pinto limitou-se a fazer o número do velho rabugento, zangado com todos por lhe não darem qualquer importância (o que alguém pode envelhecer mentalmente em tão poucos anos!), Francisco Assis já só fala para si mesmo e Ana Gomes não sai do papel de histérica de serviço, incapaz de mostrar a mínima contenção devida a quem trabalhou em tempos na diplomacia.
José Sócrates também não serviu de fantasma útil para esses interesses nebulosos, por um lado, porque nem ele está interessado em fazer-se idiota útil ao serviço de quem efetivamente trabalhou na sombra para o amesquinhar, nem os socialistas (incluindo António Costa) dele se desafeiçoaram, porquanto até lhe continuam a elogiar os aspetos mais emblemáticos do seu legado.
Correu, igualmente, mal a suposta divergência entre Augusto Santos Silva, dado como estando mais à direita, e Pedro Nuno Santos, assumidamente mais à esquerda. Um e outro intervieram com a notável inteligência, que se lhes reconhece, dirimindo as diferenças de opinião com a explanação de argumentos sólidos e não tão contraditórios quanto gostariam de ouvir os que salivavam por antecipação no intento de os aproveitarem.
O Partido Socialista sairá deste Congresso mais forte e preparado para os desafios, que se perfilam por diante, e que nada têm a ver com as preocupações politiqueiras de saber como ganhar eleições menorizando a questão de saber para quê. Ora, ao contrário dos recentes Congressos do CDS ou do PSD em que nada se lhes viu quanto a propostas para o futuro e muito menos que tipo de país se pretenderá construir, o do Partido Socialista aprova duas moções fundamentais para responder a essa necessidade. Quer a de António Costa, quer a sectorial subscrita à cabeça por Pedro Nuno Santos, identificam os desafios que nos esperam nos próximos anos e como eles se traduzirão em oportunidades para alcançar um país mais livre, democrático e capaz de garantir melhores rendimentos  e direitos para quem trabalha.
O discurso do secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, que acabei de ouvir e fez levantar a sala, constituiu um grande momento deste Congresso e terá causado amargos de boca aos tais boicotadores frustrados, porventura convencidos de quão dificilmente conseguirão voltar a impor mistificações, que os anos mais recentes conseguiram desmascarar. Como a da economia de mercado revelar-se mais eficaz do que a comandada ou regulamentada pelo Estado ou a de só haver viabilidade para o país se apostasse em salários de miséria e só deveres, que não direitos, para quem trabalha.

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