segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sim! Eu usufruirei a tempo e horas o direito de morrer com dignidade!


É muito possível que, quando amanhã se verificar a votação sobre a morte assistida, os votos comunistas sejam determinantes para que a nova legislação não seja validada por uma maioria de deputados. Pode também acontecer que, verificando-se uma vitória do sim à morte com dignidade, Marcelo se comporte igual a si mesmo e faça prevalecer os seus preconceitos sobre a vontade maioritária expressa pela Assembleia. De qualquer modo a questão foi finalmente levantada e não conhecerá recuo: seja desta feita, seja da próxima, o meu direito a morrer quando quiser e com o mínimo sofrimento possível acabará por ser aprovado e confio que a ele recorrerei quando considerar chegada a hora de regressar ao nada donde provim ao nascer.
O debate tem, porém, servido para o recurso às mais falaciosas argumentações por parte das direitas: por exemplo, que os partidos proponentes não o haviam anunciado na campanha eleitoral de 2015. Será caso para questionar se, em 2011, tinham pré-anunciado os cortes nos salários e pensões, que logo implementaram?  Igualmente afiançaram verdadeiras as notícias, próprias dos mitos urbanos, em como, nos países onde esse direito existe, ele tem servido para aplicar estratégias eugenistas, ou seja sem a efetiva vontade dos que a ele recorrerem! A mentira tem andado à solta nas atoardas dos que se comportam como fascistas, pretendendo vedar a outrem o direito que só a eles cabe decidir e usufruir.
Inventam, igualmente, sondagens, que não foram feitas, querendo omitir que na única credível, efetuada segundo os parâmetros consensuais da estatística, os portugueses pronunciaram-se por mais de 68% favoráveis à lei.
Existem fundamentos científicos, filosóficos e sociais, que justificam a aprovação da lei. Aos amigos, sobretudo os que se dizem de esquerda e se mostram favoráveis às alegações desses polícias das consciências alheias, aconselho a seguirem o exemplo de Almada Negreiros quando  afirmava a vontade de se tornar espanhol se Júlio Dantas fosse aceite como  português. Será que se sentem bem na companhia de Assunção Cristas e da autêntica galeria de horrores, que caracteriza a sua bancada parlamentar? Será que se identificam com esses inauditos defensores do não, que são Cavaco Silva e Passos Coelho?
Insistirão, porventura, que os comunistas também integram essa trincheira! É verdade! Mas não é essa a demonstração perfeita como, em muitos aspetos, eles e as direitas cumprem a regra de tous les mauvais esprits se rencontrent?

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