sexta-feira, 4 de maio de 2018

Recordar maio de 68 (7): a influência da Revolução Hippie


A história do movimento de Maio de 1968 - de que se comemora este ano o 50º aniversário - teve a sua origem na América onde, no ano anterior acontecera o nunca por demais lembrado «Summer of Love», sobretudo sob o sol da Califórnia.
O epicentro até está muito bem localizado, porque acredita-se que o «espírito do maio  de 68» localizou-se e nos parques e ruas de São Francisco. A cidade nascera como efeito direto da corrida ao ouro na região em 1848, e em menos de três anos o número de habitantes centuplicara.  Em 1906 um terramoto terrível, seguido de um devastador incêndio, reduzira-a a escombros, mas, muito rapidamente, foi reconstruída porque, na realidade e desde a fundação, a cidade personifica o «sonho americano», o local para onde convergem os aventureiros e os sonhadores.
Foi nesta cidade que, no final dos anos 50, um livreiro encetou a publicação dos poemas da beat generation. E foi lá que, poucos anos depois, se concentraram os hippies para proporem uma outra versão do que se entenderia como vida merecedora de ser bem vivida.
Hoje continua a ser o melhor sítio para se procurar o que resta da contracultura norte-americana, que conheceu o auge entre 1966 e 1968. O bairro de Haight Ashbury continua a ser o local privilegiado para testemunhar essa herança.
Antes dos hippies, tinham sido, de facto, os beatnicks, com Kerouac e Ginsberg a liderá-los, quem tinham instalado o quartel-general do seu movimento na cidade. O bairro em causa era onde se podiam encontrar as casas para alugar mais baratas e onde era mais fácil ouvir os novos ritmos do jazz.
Em 6 de outubro o LSD foi proibido em toda a Califórnia, o que suscitou uma enorme manifestação de protesto, que contou com a presença de Janis Joplin, e ficou doravante considerada como embrião da revolução hippie. Nessa altura o LSD ainda não era visto como algo destinado a facilitar as emoções festivas a que viria a ser associado, mas uma espécie de sacramento ritualístico para a boémia instalada ali. Ora, naquele dia, toda a comunidade de Haight Ashbury ficou à margem da lei.
Inventada por químicos suíços e testada pela CIA em interrogatórios sobre quem capturava, o LSD seduziu a juventude e serviu de catalisador ao movimento, que contestava o puritanismo das gerações mais velhas e a guerra do Vietname. A droga permitia o acesso a uma realidade alternativa, em que o tempo ficava mais lento, propício à reflexão e ao aprofundamento das ideias. Um grupo de ativistas, os  Diggers, puseram-se a plantar tomateiros nos espaços públicos para os embelezar e lhes servirem de alimento. A ideia era tudo passar a ser gratuito. O dinheiro deveria ser proscrito, funcionando uma economia paralela na base da troca e da partilha.
Tratava-se de propor uma sociedade alternativa em relação à que fora até então dominante. No fundo o que muitos dos que ano e meio depois em Paris também proclamariam como princípios fundamentais do tipo de sociedade em que desejariam viver daí por diante.

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