quinta-feira, 3 de maio de 2012

Pete Seeger - What Did You Learn In School?

As citações do dia


Alexandre Soares dos Santos tem uma agenda política e, com total insensibilidade social e moral, pôs as suas lojas, os seus trabalhadores e os seus clientes ao serviço dessa agenda. Alguma coisa, além de comida a metade do preço por um dia, os portugueses ganharam com isso: viram o rosto que está por detrás da máscara.
Manuel António Pina, Jornal de Notícias

O oportunismo imoral do grupo jerónimo Martins foi óbvio e roça a ilegalidade, mas sinceramente o que preocupa e dá verdadeiramente que pensar são os sinais sonoros - estridentes e evidentes - que toda esta situação emite e que assustam. Aflige-me a indignidade. A perda completa da racionalidade de tantos ao mesmo tempo e o recurso aos comportamentos mais primitivos na proteção de algo que tem a ver com a subsistência mais básica. É atroz. Fere. Magoa. Não deveria ter acontecido. Não deveriam as pessoas nunca em tempo algum ser colocadas nesta posição.
Tiago Mesquita, Expresso

A pobreza não é uma escolha, é uma condição social. O combate contra a desigualdade não é um delírio de uma elite bem-pensante. É uma urgência política. O que há de inaceitável no que ontem aconteceu, é o Estado ter desistido de representar os interesses da maioria e permitir que uma empresa se aproveite da crise para violar todas as regras comerciais e sociais. As pessoas que lá foram, essas, apenas fizeram o que fazem todos os humanos a quem não lhe sobram recursos: tentaram o que era melhor para elas.
Daniel Oliveira, Arrastão

Mesmo ignorando uma possível condenação por concorrência desleal, a empresa tornou-se responsável por cenas degradantes que ofendem a consciência de muitos de nós. É difícil negar-se que o estado de necessidade de muita gente foi objetivamente transformado num espetáculo ao serviço da estratégia promocional do Pingo Doce.
João Pinto e Castro, Jugular

quarta-feira, 2 de maio de 2012

As citações do dia


Portugal, (…) tornou-se numa espécie de protetorado. (…). Dizem-nos, os neoliberais, que se trata de uma inevitabilidade. Ora em política não há inevitabilidades. Há boas e más políticas: tudo depende da vontade e da inteligência dos eleitores, nas democracias, claro. Mas as conjunturas mudam, quando as pessoas assim querem.
Mário Soares, Diário de Notícias
O Governo - e, especialmente, o PSD - decidiram aproveitar a situação de assistência externa para impor uma agenda ideológica radical, ainda que disfarçada de tecnocracia. Essa agenda é notória em múltiplos aspetos: subserviência à visão caricatural da crise do euro centrada na "culpa" dos países do sul e "esquecendo" a sua origem na arquitetura do euro; quebra do consenso nacional na política europeia; privatizações selvagens; programa de desmantelamento das funções sociais do Estado; austeridade mal medida e assimétrica (penalizando os mais fracos), etc.
João Cardoso Rosas, Diário Económico
De todos os países europeus, Portugal é o que tem uma especialização mais parecida com a China e os outros países asiáticos emergentes. Uma descida de 20 ou 30% nos salários de pouco nos servirá se não nos reposicionarmos: não dá para competir com a China e é irrelevante para concorrer com a qualidade da Alemanha. Para induzir a transformação necessária, as reformas estruturais não são incentivo suficiente nem o mercado, só por si, nos levará lá.
Alberto Castro, Jornal de Notícias

A ignomínia à solta no Pingo Doce


As imagens ontem captadas à porta de diversos hipermercados do Pingo Doce, com turbas desaustinadas a acorrerem às promoções anunciadas especificamente para esta data, demonstram a semelhança entre a falta de consciência política de quem se deixou seduzir por tal ignomínia ajudando a perceber porque é que Marine Le Pen acaba de ter tão significativa votação em França. Porque são os desfavorecidos quem mostram ser os piores lobos de si mesmos ao ignorarem os mais elementares deveres de solidariedade com os trabalhadores dessa cadeia de distribuição obrigados a trabalhar em dia até há pouco considerado feriado incontornável e ao deixarem-se embalar pela demagogia dos lacaios de Soares dos Santos, sem nada ganharem com isso: o truque de marketing é óbvio e não resultou dele qualquer prejuízo económico para quem o congeminou. Quem foi comprar barato uns produtos, comprou outros bastante mais caros...
Torna-se urgente o combate da esquerda contra a contaminação das mentes da sua base social de apoio com tais miragens consumistas, sob pena de a ver a militar exatamente na trincheira contrária na iminente guerra política, que se adivinha brutal.
Para já importa tornar viral o boicote ativo às lojas do Pingo Doce reforçando a campanha já iniciada, quando Soares dos Santos decidiu transferir para a Holanda o dinheiro aí gerado...

terça-feira, 1 de maio de 2012

Dificuldade de governar


Um poema intemporal, mas que se mostra muito pertinente nestes dias de (des)governação da troika Coelho -Relvas - Gaspar.

AS COISAS NÃO CONTINUARÃO A SER COMO SÃO


Na mais recente edição do suplemento das sextas-feiras do Jornal de Negócios, Manuel Alegre dava uma excelente entrevista a Anabela Mota Ribeiro onde, às tantas, desmentia a condição portuguesa de «povo de brandos costumes»:
Os portugueses são um povo para o qual é preciso olhar com atenção. Alguém dizia: “Gostam de encostar os portugueses à saudade. Parece que aguentam tudo, e de repente atiram com tudo ao ar.”
Obviamente que o poeta alertava para os riscos inerentes à presente política de austeridade do Governo, que tem atirado com tanta gente para a miséria e para o desespero traduzido num número crescente de suicídios. Mas que, mais tarde ou mais cedo, se infletirá para uma violência que transita de uma opção pessoal e virada contra si, para outra diretamente orientada para os símbolos maiores da sua desgraça.
Os acasos das leituras conduziram-me, entretanto, a um dos mais conhecidos romances de Alves Redol - «Horizonte Cerrado» -, o primeiro do chamado ciclo do «Port Wine». Nele vive-se uma situação social muito parecida à agora vivida. Senão vejamos: o tempo é o da Primeira República e o espaço é o do Douro vinhateiro e existe nos mais pobres uma fome endémica, com os pequenos agricultores incapazes de venderem o vinho das suas adegas, os operários agrícolas despojados de trabalho e os especuladores e fabricantes de vinho a martelo a prosperarem com o lucro obtido da diferença entre o parco preço a que acedem pagar aos mais desesperados e aquele que cobram nos mercados externos.
Porque a revolta é grande, Alves Redol descreve um terrível episódio em que a violência parece orientar-se na direção errada: para iludirem a fome uns miúdos  divertem-se a perseguir um podengo escanzelado, que foge para dentro de uma taberna e busca proteção entre as pernas dos homens aí desocupados. Mas estes decidem vencer esse nada fazer, exercendo requintes de malvadez contra o pobre bicho. Assim, regam-no de aguardente e atiçam-lhe o fogo, que se mantém aceso até ele silenciar os ganidos plangentes e morrer carbonizado numa vereda.
O leitor é levado a pensar que, violentados pelos poderosos que os exploram, não resta aos explorados senão a vingança catártica sobre os que ainda se lhes mostram mais desgraçados. E ficando-se por aí, o romance daria razão aos que apostam em como «as coisas continuarão a ser como são».
Só que, o mesmo poema de Brecht a que pertence este verso, é esclarecedor quanto à falsidade de tal conclusão: a mudança é inevitável e até as ditaduras aparentemente mais sólidas são derrubadas de um momento para o outro, como temos assistido nos últimos anos. E, por isso, vemos o velho António Teimas a reagir quase inconscientemente ao desatino em que vive e pôr-se a tocar o sino da aldeia. E com ele, sem saberem porquê, homens e mulheres pegarem em paus e alfaias e dirigirem-se ao armazém de um dos seus mais óbvios exploradores para o deixarem em ruínas fumegantes.
A imagem do Douro a arder com as chamas a dançarem voluptuosamente na superfície das águas cobertas de vinho falsificado, corresponde a uma forte imagem do que pode suscitar uma situação social explosiva. Em que os Gaspares se enganam quanto à possibilidade de ainda mais se acentuarem os já enormes sacrifícios atuais.
Voltando à entrevista de Manuel Alegre vale a pena sacudir este conformado desânimo em que  nos encontramos e darmos largas ao nosso insubmisso repúdio por todo este modo de exercer uma governação só pensada em benefício de uma minúscula faixa de exploradores.
No dia primeiro de maio eis algo que vale a pena sempre considerar...

Pete Seeger's 'Rainbow Race' sung by 40,000 Norwegians in response to An...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

As previsíveis preocupações da Srª Merkel


Os tempos estão a mudar. O que faz pensar quanto se mantém atual a velha canção de Bob Dylan.
Senão vejamos: a uma semana de vermos François Hollande marcar uma viragem simbólica na evolução política europeia, a Sra. Merkel vê-se a contas com uma greve dos metalúrgicos alemães, que não hesitam em exigir 6% de aumento nas suas remunerações. E nesse confronto com as suas políticas ela não se depara com gente frouxa como o nosso primeiro-ministro ou o secretário-geral da UGT. O forte sindicato IG Metall promete luta rija para prevalecer os direitos dos seus associados e conta com argumentos suficientes para fazer dobrar as intenções contrárias dos que estão do outro lado da barricada.
Se somarmos a essa realidade a queda do governo holandês, ideologicamente emparelhado com a austeridade a qualquer preço da teimosa vizinha, e a provável subida eleitoral dos partidos à esquerda do centrão grego, podemos considerar pertinentes as expetativas de a mudança passar a reorientar-se para a redução das enormíssimas desigualdades sociais alimentadas pelos partidos de direita e dos que, social-democratas de nome, contaminaram a esquerda reformista com a terceira via para o capitalismo selvagem.
Assim se compreende que, ainda enchendo o seu discurso de ameaças ao eleitorado francês pela sua previsível escolha, a Srª Merkel e os seus cúmplices já se vejam obrigados a ir falando em crescimento económico. Não adivinham que a procissão ainda vai no adro...

As citações do dia


É preciso entendermos que a legalidade, pelos votos, em que assenta este Governo, não legitima as suas malfeitorias. Entre a legalidade e a legitimidade vai o passo que separa a democracia da tirania. E esta "democracia" em que vivemos não é mais do que um regime de "superfície." Além de incultos, como se tem verificado amplamente, estes indivíduos são soberbos e com a consistência política comum a quem julga que quer, pode e manda.
Baptista Bastos, Jornal de Negócios

Quem mentiu ou mente ao povo soberano não pode invocar nenhuma legitimidade para exercer cargos públicos. Quem mente aos eleitores perde todas as legitimidades democráticas, incluindo - diria mesmo: sobretudo - a de governar. Em rigor não se pode representar aqueles que foram enganados. A mentira ou até a simples omissão da verdade gera um vício de representação que esvazia o mandato político de toda a legitimidade democrática.
Marinho Pinto, Jornal de Notícias

A juventude passa com o tempo, costuma dizer-se; a precariedade, a menos que a esconjuremos, envelhecerá connosco.  
Bruno Sena Martins, Arrastão

O endividamento das famílias, das empresas e dos Estados tem servido para discursos simplistas, que ignoram a mutação que se operou no capitalismo desde os anos 80. Hoje, toda a economia e toda a sociedade vive para financiar a banca e os mercados financeiros em vez de acontecer o oposto. O que tem de acontecer para voltar a pôr as instituições financeiras no lugar que lhes tem de caber é global e exige uma extraordinária coragem política.
Daniel Oliveira, Expresso

sexta-feira, 27 de abril de 2012

VASCO GRAÇA MOURA ... PIM


Este fim-de-semana decorre mais uma festa da música no Centro Cultural de Belém. Ainda preparado pela competente gestão de Mega Ferreira, promete mais umas dezenas de bons espetáculos tendo desta feita a Voz como grande motivo inspirador.
Mas, desta feita, e ao contrário do que tem sucedido nos últimos anos, vou primar pela ausência por um bom motivo: se Groucho Marx jamais poderia aceitar pertencer a um clube, que o integrasse como sócio, também eu direi ser incompatível a frequência de um espaço dirigido por esse símbolo do pedantismo laranja, que se chama Vasco Graça Moura.
Há quem o considere bom poeta e até o apresente como homem culto e de grandes qualidades.
Não é essa a minha opinião: ele representa tudo quanto detesto num suposto intelectual, ou seja a troglodítica forma de encarar a política, insultando quem se situa à esquerda, bem demonstrada quando insultou o eleitorado por ter dado votações maioritárias a José Sócrates.
Se, em definitivo, optei pelo novo Acordo Ortográfico foi por VGM se apresentar como seu mediático opositor. Agora que desisto da condição de Amigo do CCB e de frequentador dos seus espetáculos é como medida higiénica para me não deixar conspurcar pelo que ele representa.
O ambíguo Almada Negreiros causticou o detestável Dantas no manifesto em que arrasava tudo quanto de reacionário ele representava. Que pena não ter hoje um discípulo que, com idêntica ironia e eficácia, seja capaz de traduzir em palavras assassinas o quanto Vasco Graça Moura e a sua adjunta Dalila Rodrigues representam como representantes do governo que, desde o 25 de Abril, mais avesso se mostra a tudo quanto á cultura diz respeito...

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As citações do dia


Este não é um Governo de cravos mas uma companhia de cravas, tantas e tais são as maneiras e vias que o Executivo descobriu e aplicou para ir aos bolsos dos cidadãos.
João Paulo Guerra, Diário Económico

O novo imposto alimentar ‘produzido' por Assunção Cristas é uma forma, expedita, de sacar mais dinheiro aos contribuintes/consumidores em vez de avaliar os recursos financeiros que já são alocados a esta área e utilizá-los da melhor forma, de forma mais eficaz e eficiente. 
António Costa, diretor do Diário Económico

De onde veio este espírito positivo com que o Presidente espera agora mobilizar o ânimo dos portugueses e convencer o Mundo? Os argumentos apontados no discurso do Presidente poderão surpreender os espíritos mais sensíveis mas resumem-se nisto: as razões para acreditarmos no futuro residem no progresso que o País fez principalmente na última década - a tal que se dizia perdida!
Pedro Silva Pereira, Diário Económico

O 25 de abril não é uma data sem conteúdo político. Exatamente: não é o 10 de junho. Tem um significado. Sobretudo para aqueles que, como Soares, Alegre, os militares de abril e tantos outros, nele tiveram um papel ativo. E há momentos em que escolhemos com quem os celebramos. E em que celebrá-los com quem tem pelos valores do 25 de abril um evidente desprezo pode ser insuportável.
Daniel Oliveira, Expresso

quarta-feira, 25 de abril de 2012

3 Pianos Traz outro amigo também & Perpetuum Mobile

O veredicto da História


É claro que a notícia do dia foi a do desaparecimento esperado de Miguel Portas, que teve algo de simbólico: ele que foi um dos que lutaram ativamente pelo sucesso do 25 de Abril, acaba por falecer na execrada data de 24, que nos habituámos a considerar como símbolo de tudo quanto o fascismo representava.
Nesse sentido, e pegando num comentário de Vasco Lourenço sobre o veredicto da História, quando desqualificava o inacreditável comentário de Passos Coelho sobre a ausência de Mário Soares das cerimónias oficiais do 25 de Abril, Miguel Portas ficará recordado por bons motivos. O que não sucederá decerto com o atual primeiro-ministro cuja ação política se arrisca a ficar registada como sinónima de empobrecimento irreversível de milhares de portugueses. Se todos os dias surgem novos indicadores sobre os efeitos dramáticos da política desenvolvida pelo Governo, os de hoje são terrivelmente eloquentes: nunca como agora surgiram tantos lutos em crianças portuguesas, já que aumentaram significativamente as que viram os pais suicidarem-se ou morrerem em acidentes de automóvel (como se sabe, outra forma encapotada de pôr fim à vida).
É por isso que faz todo o sentido a ressurreição do espírito combativo vivido no 25 de Abril… para que se volte a acreditar em futuros melhores!

terça-feira, 24 de abril de 2012

MAIS UM GOVERNO DE DIREITA A IR ABAIXO


Passou quase despercebida, mas tratou-se verdadeiramente da notícia do dia: a queda do governo de direita holandês. Que teve o seu quê de irónico: tratava-se de um dos mais acintosos defensores da ortodoxia do défice, causticando Portugal e a Grécia por não conseguirem apresentar valores abaixo dos 3% do PIB. E propondo naturalmente a sua exclusão do euro.
Agora esse governo cai, vítima do seu próprio veneno: como teria de lançar novas medidas de austeridade para alcançar aquele objetivo, viu-as recusadas pela fortíssima extrema-direita, cujo populismo jamais permitiria associar-se a tão antipática medida para os seus eleitores.
Resultado: mais um governo de direita a cair, ainda antes do de Sarkozy. Com a forte probabilidade de um regresso da esquerda ao poder, mesmo contando com a oposição dos siameses de Marine le Pen nos pólderes dos Países Baixos.
Fica a noção de que a esquerda não tardará a liderar diversos países europeus, mas com o desafio de retirar argumentos a fascistas e neonazis. O que significa a urgência de encontrar um discurso político e ideológico capaz de, com inteligência, atrair os jovens e os operários, cujos medos e limitados conhecimentos, os tornam permeáveis à demagogia mais despudorada...

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Casablanca La Marseillaise


A notícia do dia é a da vitória de François Hollande na primeira volta das eleições presidenciais francesas, superando Sarkozy em 1,5%.
No entanto, quando se esperava um sucesso de Mélenchon enquanto candidato da esquerda mais radical, foi Marine Le Pen quem fez arrefecer alguns ânimos ao levar a extrema-direita ao seu melhor resultado eleitoral de sempre.
Valerá aos socialistas, que o interesse  da extrema-direita é a de praticar uma espécie de terra queimada no lado mais reacionário do eleitorado francês, arvorando-se como principal voz de oposição ao novo poder da esquerda. Mas a suada vitória de Hollande a 6 de Maio deverá obrigar a esquerda a encarar o novo quadro político francês com muito cuidado para que a serpente não saia do ovo donde promete emergir para susto de todos os democratas.
No mesmo dia 6 de Maio decorrerão igualmente as legislativas gregas. E, sem o mínimo pudor, o líder da direita Samaras promete ilusórios cenários, que sabe jamais poder cumprir. Esperemos que os gregos se recordem de quem foi o responsável principal por esta crise.
Mas, se falamos de ilusões, não devemos omitir o Ministro das Finanças, Vítor Gaspar, que foi para a sede do FMI anunciar que Portugal está no bom caminho quanto à criação de mais emprego. Faltará depreender se Gaspar  é um perigoso lunático, que julga-se capaz de transformar sonhos em realidades, ou um impenitente mentiroso, que vai pronunciando discursos políticos feitos de mentiras sem qualquer fundamento de verdade...

sábado, 21 de abril de 2012

A surfar a onda


A imagem do dia é decerto a dos surfistas do Barreiro, que aproveitam as ondas causadas pelos catamarãs da Soflusa para praticarem o desporto favorito. Que melhor exemplo dessa capacidade lusa de caçar com gato, quando não se possui o cão?
No entanto, as más notícias sucedem-se a um ritmo estonteante: as receitas fiscais caíram mais do que o previsto no primeiro trimestre, agravando as contas públicas. O défice do Estado duplicou assim durante este período.
Se ainda fosse Sócrates quem estivesse à frente do Governo, o ribombar de indignações, que soaria por aí. Por ora, apesar da Morgan Stanley prever a inevitabilidade de um segundo resgate em Setembro, os portugueses calam a revolta, que cresce contudo noutro indicador: pela primeira vez Seguro já ultrapassou Passos Coelho nos indicadores da Eurosondagem. O que, face à inabilidade do secretário-geral socialista, diz muito da que revela o primeiro-ministro. Que já pede ajuda aos outros ministros para que o substituam na comunicação com os portugueses. Voluntariosa, Paula Teixeira da Cruz chegou-se à frente e foi lesta a anunciar que os subsídios não voltarão sequer em 2015. O que ainda contribuiu mais para a felicidade geral...

sexta-feira, 20 de abril de 2012


No almoço, que assinalou o 39º aniversário do Partido Socialista, Mário Soares não poupou nas palavras: «Passos Coelho está a fazer um péssimo trabalho».
E, a confirmá-lo aí estão diversos setores da população a sofrer com a ação do Governo:
· A Caritas alerta para o facto de estudantes universitários estarem a ser expulsos de residências universitárias por falta de pagamento. Fontes da Igreja consideram que o Ensino Superior tende a tornar-se coutada privativa das elites, ao contrário do que sucedeu desde o 25 de Abril.
·  Os ativistas do meritório projeto Es.Col.A foram violentamente expulsos da Escola da Fontinha a mando do democrata Rui Rio.
· Os agricultores prejudicados pela seca não conseguiram que, em Bruxelas, Assunção Cristas obtivesse o desbloqueio de 120 milhões de euros, que são devidos ao setor desde o ano transato.
· Os trabalhadores a serem despedidos a partir de agora ainda receberão menos indemnização do que os cortes já entretanto aprovados pressupunham. Pode-se dizer, que são expulsos das empresas com uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Mas, apesar de tudo isto, Vitor Gaspar foi à sede do FMI assegurar que os portugueses «estão completamente dispostos a sacrificar-se». O que levou o Partido Socialista a acusarem-no de estar fora da realidade...
Entretanto e numa política completamente oposta à da Argentina, aonde se acautelaram os interesses nacionais com a recente nacionalização da Repsol, o Governo decidiu travar a aposta nas eólicas e cortar na energia solar, tornando o país mais dependente dos humores dos especuladores do petróleo. E soube-se também que, contrariando o empresário português Pedro Queirós Pereira, o referido Vítor Gaspar e António Borges pretendiam que a Caixa Geral dos Depósitos entregasse a Cimpor diretamente à brasileira Camargo para assegurarem uma rápida entrada de capital. Mesmo ficando o país sem uma das suas escassas empresas de referência…
Mas, como nem tudo são tristezas nacionais, podemos solidarizar-nos com os austríacos da aldeia de Fucking que, fartos dos problemas suscitados por tão equívoco nome, pretendiam mudá-lo para Fugging. O problema é que, havendo já uma terreola com esse nome, viram frustrada a sua pretensão...