segunda-feira, 13 de julho de 2026

O Luís a trabalhar para ainda mais estragar

 


José Luís Carneiro disse que Luís Montenegro está a trabalhar para ser o pior primeiro-ministro desde o 25 de Abril. É uma acusação séria e, convenhamos, ambiciosa. Porque a concorrência é feroz.

Pense-se em Durão Barroso, que abandonou o país a meio do mandato para ir presidir à Comissão Europeia, deixando a pasta a quem se sabe. Pense-se em Santana Lopes, precisamente esse a quem se sabe, cuja passagem por São Bento foi tão breve quanto memorável pelas piores razões. Pense-se em Passos Coelho, que empobreceu o país com método, exportou uma geração inteira e chamou-lhe "ir além da troika". Para bater este pódio, Montenegro precisa de trabalhar muito. E, justiça lhe seja feita, tem trabalhado.

A propaganda dizia "Deixem o Luís trabalhar". Era um apelo infantil, ao qual o país acedeu com a benevolência de quem dá uma oportunidade. Passados dois anos, o slogan pede revisão urgente. Deveria ler-se: "Não deixem o Luís estragar ainda mais."

Porque estragar é o que tem feito, e com aplicação. Recebeu dos socialistas uma herança que ninguém dirá famosa — havia listas de espera, faltavam médicos de família, a habitação já era um problema. Mas havia também contas certas, crescimento acima da média europeia e um Estado que ainda funcionava como Estado. Montenegro pegou nisto e conseguiu piorar tudo em simultâneo, o que exige uma coordenação notável do desastre.

Na saúde, mais gente sem médico de família do que quando chegou. Na educação, o caos nos exames nacionais e um ministro que culpa agrafadores. Na habitação, preços que continuam a expulsar a classe média das cidades onde trabalha. Nas contas, a receita inflacionada por impostos sobre combustíveis que colocam as famílias portuguesas entre as mais penalizadas da União Europeia. E nas tempestades, um relatório presidencial a falar em improviso e insuficiência de coordenação.

Vinte e cinco pacotes de medidas depois, o país continua à espera de que algum deles produza efeito. Talvez seja essa a genialidade do método: anunciar tanto que ninguém tenha tempo de verificar se alguma coisa foi feita.

Carneiro pode ter razão. Montenegro trabalha, de facto, para o pódio. Falta saber se chegará a tempo de destronar Passos Coelho, que ainda detém o recorde absoluto de devastação social por mandato. É uma corrida renhida e o primeiro-ministro tem dois anos pela frente.

A menos que...

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