sexta-feira, 3 de julho de 2026

Fernando Bart Simpson Alexandre

 


A verdade é como o azeite: vem sempre ao de cima. Fernando Alexandre, que durante meses circulou com a reputação de um dos ministros "mais competentes" (sic) deste governo — avaliação que dispensa comentário e pede apenas que se observe o resultado —, tem vindo a demonstrar o contrário com uma consistência admirável.

Primeiro foi a ciência. A herança do saudoso Mariano Gago, que fizera de Portugal um país capaz de reter e atrair investigadores, foi sendo desmantelada com a frieza de quem não entende o que destrói. Agora é a escola, e o caos instalou-se onde menos se podia permitir: nos exames nacionais, que decidem o futuro de 160 mil alunos.

O quadro é digno de manual do desastre. Convocatórias enviadas a professores de outras disciplinas, a professores reformados e até a professores falecidos. Plataformas de correção inacessíveis. Docentes obrigados a escolher entre atrasar o processo ou prejudicar os alunos. Respostas corretas às quais o sistema mandava atribuir cotação zero por erro de digitalização. Trabalhadores recrutados à pressa, por mensagem, para separarem folhas à mão. Perante isto, os classificadores fizeram o que raramente fazem: apresentaram escusas de responsabilidade, recusando validar um processo em que não confiam.

E o ministro? O ministro negou. Chamou "falsas" à maioria das denúncias dos professores. Garantiu, semana após semana, que estava "na janela prevista" e que "nenhum aluno será prejudicado". No Parlamento, insinuou que os professores mentiam e que a culpa das convocatórias erradas era dos diretores — que a desmentiram de imediato. Culpou os agrafadores. Culpou o código QR. Culpou toda a gente que lhe parecesse estar a jeito, sem excluir António Costa, cujo governo terminou há mais de dois anos.

Hoje, 3 de julho, veio o azeite ao de cima. O Governo fez exatamente o que jurara desnecessário: adiou o calendário. As notas passam de 14 para 17 de julho, a segunda fase escorrega quatro dias. As denúncias que o ministro classificara de falsas eram, afinal, verdadeiras. O recuo é a confissão que a boca se recusava a fazer.

Fernando Alexandre é a versão ministerial de Bart Simpson: eu não fui, ninguém me viu, não podem provar nada. A diferença é que Bart é uma criança de dez anos numa série de animação, e Alexandre é um ministro da República responsável pela educação e pela ciência de um país inteiro. De um, espera-se a irresponsabilidade. Do outro, esperava-se o contrário — e é aí que reside o logro.

O azeite subiu. Falta agora saber quem, neste governo de negações sucessivas, terá algum dia a coragem de o provar.

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