A verdade
é como o azeite: vem sempre ao de cima. Fernando Alexandre, que durante meses
circulou com a reputação de um dos ministros "mais competentes" (sic)
deste governo — avaliação que dispensa comentário e pede apenas que se observe
o resultado —, tem vindo a demonstrar o contrário com uma consistência admirável.
Primeiro
foi a ciência. A herança do saudoso Mariano Gago, que fizera de Portugal um
país capaz de reter e atrair investigadores, foi sendo desmantelada com a
frieza de quem não entende o que destrói. Agora é a escola, e o caos
instalou-se onde menos se podia permitir: nos exames nacionais, que decidem o
futuro de 160 mil alunos.
O quadro
é digno de manual do desastre. Convocatórias enviadas a professores de outras
disciplinas, a professores reformados e até a professores falecidos.
Plataformas de correção inacessíveis. Docentes obrigados a escolher entre
atrasar o processo ou prejudicar os alunos. Respostas corretas às quais o
sistema mandava atribuir cotação zero por erro de digitalização. Trabalhadores
recrutados à pressa, por mensagem, para separarem folhas à mão. Perante isto,
os classificadores fizeram o que raramente fazem: apresentaram escusas de
responsabilidade, recusando validar um processo em que não confiam.
E o
ministro? O ministro negou. Chamou "falsas" à maioria das denúncias
dos professores. Garantiu, semana após semana, que estava "na janela
prevista" e que "nenhum aluno será prejudicado". No Parlamento,
insinuou que os professores mentiam e que a culpa das convocatórias erradas era
dos diretores — que a desmentiram de imediato. Culpou os agrafadores. Culpou o
código QR. Culpou toda a gente que lhe parecesse estar a jeito, sem excluir
António Costa, cujo governo terminou há mais de dois anos.
Hoje, 3
de julho, veio o azeite ao de cima. O Governo fez exatamente o que jurara
desnecessário: adiou o calendário. As notas passam de 14 para 17 de julho, a
segunda fase escorrega quatro dias. As denúncias que o ministro classificara de
falsas eram, afinal, verdadeiras. O recuo é a confissão que a boca se recusava
a fazer.
Fernando
Alexandre é a versão ministerial de Bart Simpson: eu não fui, ninguém me viu,
não podem provar nada. A diferença é que Bart é uma criança de dez anos numa
série de animação, e Alexandre é um ministro da República responsável pela
educação e pela ciência de um país inteiro. De um, espera-se a
irresponsabilidade. Do outro, esperava-se o contrário — e é aí que reside o
logro.
O azeite
subiu. Falta agora saber quem, neste governo de negações sucessivas, terá algum
dia a coragem de o provar.

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