segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Latidos inconsequentes

O facto de estar ausente de Portugal nos próximos dias  priva-me do prazer de assistir aos debates parlamentares sobre o programa do Governo, que anda a deixar a direita mergulhada em dúvidas existenciais: apresentar ou não uma moção de rejeição, eis a questão!
Que sim, defende portas, temeroso de ver Costa vangloriar-se da completa rendição da direita à falência da sua esgotada tese sobre a suposta “ilegitimidade” da nova solução governativa.
Que não, apostam alguns dos colaboradores de passos coelho, intimidados pela possibilidade de se ver a direita novamente derrotada pela grande maioria de esquerda pela segunda vez em poucos dias. O que consolidaria a ideia de uma convergência de vontades do PS, do BE, do PCP e do PEV muito para além do que a direita gostaria de ver demonstrada.
Andamos a viver um período muito estimulante em que a capacidade de iniciativa política está toda na esquerda e a direita anda embrulhada nas suas contradições, sendo estas o espelho dos seus sucessivos «inconseguimentos» ideológicos.
Se António Costa repetir na liderança do país a mesma habilidade com que soube transformar Lisboa, a direita está metida num grande sarilho. Porque todas as estratégias em que apostou nos últimos anos, desde a mais despudorada mentira à deturpação habilidosa dos argumentos adversários, tenderão a esbarrar na impassibilidade da caravana governativa. Que continuará a avançar enquanto vai deixando pelas costas quem mais não poderá fazer do que latir... 

Jornais que desaparecem, outros que desejaríamos ler!

A notícia do fecho da empresa detentora dos jornais i e Sol suscita algumas reações ambivalentes. Por um lado é sempre lamentável ver que projetos jornalísticos desaparecem, porque aumentam o já elevadíssimo desemprego na profissão. Mesmo os 66 trabalhadores que Álvaro Sobrinho promete contratar para um novo projeto, que substituirá o atual, terão por certo remunerações baixas e vínculos precários em comparação com os até agora praticados.
Mas, por outro lado, não deixa de ser singular a falência de publicações, que fizeram do combate ao Governo de José Sócrates uma das suas principais orientações editoriais, logo evoluída para um persistente apoio às políticas implementadas por passos coelho nos seus quatro anos de mandato.
Terá sido apenas pelos avultados prejuízos, que o antigo gestor do BES Angola decidiu acabar com a Newshold? Ou a coincidência da chegada ao poder de uma nova orientação política, com perspetiva de durar vários anos, terá precipitado essa opção?
Não é preciso fazer muita futurologia para constatar que os jornais e televisões capazes de manterem uma luta desinformativa contra o governo de António Costa são mais do que muitos, competindo por um mercado de leitores e espectadores cada vez mais reduzido. Sobretudo se se verificar obra feita, que torne mais vãs as críticas, que lhe forem assacadas. E os mais de 50% de portugueses, que votaram nos partidos hoje maioritários carecem de outro tipo de publicações, mais de acordo com as suas idiossincrasias.
Hoje em Portugal faz falta um jornal rigoroso e independente como o foi «O Jornal» nos seus primeiros anos. Assim como televisões definitivamente limpas de um certo tipo de «economistas» e «comentadores», que falam de uma realidade tão diferente da sentida pela maioria dos seus espectadores, por isso mesmo tentados a deixarem-nos a falar cada vez mais sozinhos.
Desaparecidos o i  e o Sol, bem gostaríamos que projetos mais de acordo com a nossa realidade política os substituíssem.

domingo, 29 de novembro de 2015

Uma nova atitude externa

Há cinquenta anos, aquando da transição do meu pai do estatuto de operário para o de técnico especializado, foi quase imediata a decisão de trocar a velha furgoneta, comprada em segunda mão, por um novíssimo Ford Cortina de um azul quase flamejante.
Orgulhosa do novo estatuto, a minha mãe logo chamou a si a tarefa de “decorar” o carro arranjando um seu bordado para a pequena prateleira na retaguarda sobre a qual colocou um vistoso cão acabado de adquirir. Tratava-se de um daqueles objetos de mau gosto, que ia acenando com a cabeça para cima e para baixo, tão só o carro se ia movimentando.
Andei pela net à procura do pindérico modelo então na moda, mas só encontrei o da imagem, que não possui a mesma dimensão foleira do original, embora mantenha a tal característica de ir mexendo o pescoço.
Recordei esse episódio pessoal ao acompanhar pelos telejornais a comparência de António Costa na sua primeira cimeira europeia em Bruxelas, logo seguida da participação na Conferência do Clima em Paris.
Os interlocutores do novo primeiro-ministro deverão ter sentido a falta do seu antecessor, que tão conhecido lhes era por estar permanentemente de acordo com o que merkel dissesse ou decidisse. No que era replicado pela ex-ministra das finanças, também ela esforçada apoiante de tudo quanto schäuble fosse debitando.
Portugal deixou de estar representado por políticos, que não conheciam a posição vertical senão quando compareciam perante os seus indefesos concidadãos, altura em que se faziam de fortes para cumprirem e fazerem cumprir tudo quanto a santíssima troika lhes impusesse.
Mas será que os líderes europeus irão estar confrontados com um novo Varoufakis? Claro que não, porque António Costa é bastante mais inteligente e menos emotivo. Em primeiro lugar, porque sabe reservar os seus silêncios, ostentando-os enquanto eles se revelarem eficientes. E, depois, perante posições com que não concorda, terá a prévia sensatez de aferir a relação de forças e conjugar-se com quem se possa aliar para aumentar as hipóteses de sucesso das suas expetativas.
Enquanto durar este XXI Governo Constitucional não voltaremos a ter como nossos titulares perante as instituições internacionais quem delas aceite ditames sem sequer os questionar. Pelo contrário, Costa já considerou existirem margens de flexibilidade nos tratados europeus, que a direita nunca soube ou quis explorar.
Exigindo ser tratado na base da igualdade entre todos os membros da União Europeia, António Costa nunca poderá aceitar a existência de uma Europa a duas velocidades e com critérios diferenciados no cumprimento dos seus tratados consoante se está no Sul ou no Norte do continente. E é essa a razão para esperarmos uma mudança política mais profunda nesta comunidade de nações,  contestando-lhe a lógica economicista, que manda dar mais importância aos bancos do que aos seus clientes...

sábado, 28 de novembro de 2015

Seixal e Almada manifestam apoio entusiástico a Sampaio da Nóvoa

A Visão de Futuro, para alcançarmos o Portugal em que mereceremos viver, é uma das maiores características, que se associam à personalidade do Professor Sampaio da Nóvoa. E essa é uma das qualidades que melhor o diferenciam em relação aos que com ele concorrem às eleições presidenciais de 24 de janeiro. Ao contrário dos que nada têm para propor, por se julgarem vedetas televisivas, ou de quem a tudo responde com evasivas reveladoras de um pensamento próprio escassamente desenvolvido, António Sampaio da Nóvoa rejeita estar acima de quem quer que seja: ele é um de nós, que anseia dar o seu contributo para que os cidadãos sejam respeitados como tal no que isso implica de uma maior igualdade, de uma justiça menos sujeita a equívocos  e de uma maior generosidade na entreajuda para se conseguir chegar mais além.
Esse porvir só poderá ser esperançoso se apostarmos no Conhecimento e na Inovação, que é algo quase sempre ausente dos discursos dos seus concorrentes. E é por isso que Sampaio da Nóvoa é o candidato verdadeiramente representativo do novo ciclo histórico agora iniciado com a tomada de posse do XXI Governo Constitucional.
Não admira, pois, termos encontrado um grande entusiasmo e uma vontade de trabalhar arduamente em prol desses objetivos por parte dos setenta convivas que, na noite de 27 de novembro, acorreram a um restaurante de Belverde para comungarem as ambições em verem este projeto político chegar à segunda volta das eleições presidenciais de 24 de janeiro e, então, alavancar-se para uma enorme vitória sobre o candidato da direita a quem a comunicação social se apressou a anunciar a vitória antecipada e se vê agora a contas com a revisão dos prognósticos. Porque se os Núcleos SNAP do Seixal e de Almada mobilizaram intensivamente os seus aderentes a comparecerem a esta sessão de aquecimento dos motores para uma maior dinâmica nas semanas, que aí vêm, não deixa de ser uma realidade existirem nesta altura, por todo o país, outros Núcleos com um empenhamento tão denodado quanto o que estes demonstram.

Neste jantar-comício a nova secretária de Estado da Igualdade e da Cidadania, Catarina Marcelino, veio assumir publicamente um apoio já manifestado desde a primeira hora em que o Professor Sampaio da Nóvoa anunciou a disponibilidade para avançar com esta candidatura.
Não foi só ela a confessar a importância do discurso no Congresso das  Alternativas em outubro de 2012 nessa decisão. Também a ele se referiram o mandatário do SNAP Seixal, Manuel Ramos - empossado nessa qualidade neste jantar! - e Sérgio Paes, do secretariado da Federação Distrital de Setúbal do Partido Socialista, que confessaram a completa rendição à forma como Sampaio da Nóvoa então partilhou o seu diagnóstico do País e como seria urgente a mudança para se alcançar um futuro decente.
De futuro falou também Cláudio Fonseca, enquanto mandatário concelhio da Juventude, num discurso pleno de sentido ou não seja ele, nos seus vinte anos, o melhor representante de uma geração a quem todos pretendem garantir uma outra realidade, que não passe pelo convite à emigração que, perdurará por décadas, como uma das mais eloquentes imagens de marca da governação de direita de que agora nos livrámos.
Ana Pina, coordenadora do Núcleo SNAP Almada, deu testemunho pessoal das admiráveis qualidades humanas do candidato com quem conviveu diretamente na sua atividade profissional.
Outro dos oradores da sessão foi o membro do Secretariado Nacional do PS, Ricardo Ribeiro, que falou de Sampaio da Nóvoa como um ativo defensor de causas, que nos são muito queridas, a começar pelas relacionadas com a Cidadania.
João Couvaneiro, coordenador distrital da candidatura, lembrou o elevado prestígio internacional do Professor, extremamente conhecido nos meios académicos belgas, espanhóis ou latino-americanos, por ser autor de obras de referência  nas áreas da História e da Educação. E lembrou que, para termos a alegria da vitória, não bastará mostrar entusiasmo, importando investir igualmente muito trabalho.
Cabe ainda concluir com uma palavra de muito apreço ao Miguel Fortes, que trouxe consigo o grupo musical Gaita Vitória, responsável pela animação durante toda a iniciativa.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Ei-los acoitados na noite escura!

Eu detesto medricas e hipócritas, sem esquecer a aversão que tenho a quem se revela biltre no seu todo. É por isso mesmo que sinto um enorme alívio por ver pelas costas os governos de passos coelho: estes últimos quatro anos ainda se revelaram mais insuportáveis do que os vividos quando cavaco silva fora primeiro-ministro. Julgáramos, então, ter conhecido o que de pior poderíamos esperar de uma suposta “direita democrática” no poder. Concluímos entretanto o quanto podíamos estar enganados!
Esta gente que desapareceu do nosso horizonte governativo - subsistirão os seus uivos e latidos na noite escura onde se foram acoitar! - era medricas perante o futuro. Incapaz de nele encontrar faróis, que a orientassem para um qualquer rumo, apostou na salazarenta ideia de sermos poupadinhos (não gastando “acima das nossas capacidades”), honradinhos (pagando sempre as nossas dívidas mesmo que à custa do abandono dos apoios sociais aos mais desvalidos) e tementes da trilogia «Deus, Pátria e Autoridade».
Um Deus, que nada tinha a ver com o do Papa Francisco, porque intolerante para quem lhe desrespeitasse os dogmas, seja em torno do aborto, da adoção por casais do mesmo sexo ou da conceção assistida para as mães solteiras.
Uma Pátria, que só lhes permanecia nos recônditos do cérebro como resquícios da ideologia fascista, porque nunca se viu governo tão submisso a quem, de fora, lhe ia dando as orientações para serem cumpridas.
Uma Autoridade assente num chefe medíocre, que valendo-se da sua maioria parlamentar nem sequer concertava com o parceiro de coligação as decisões casuísticas, que ia tomando.
Era preciso reduzir a despesa do Estado? Pois que se condenassem à fome os que classificou como «peste grisalha».
Não havia emprego para os jovens saídos das universidades? Pois que fizessem as malas e fossem procura-lo onde ele é apenas uma possibilidade cada vez mais difícil.
Gastava-se muito na investigação e no conhecimento sem haver garantias de retorno imediato? Pois que quase se destruísse toda a notável herança deixada por Mariano Gago!
Sem uma ideia de futuro, composta por medíocres que se limitavam a cumprir as ordens do chefe, as equipas ministeriais do XIX e XX governos foram o exemplo mais lapidar de gente hipócrita, capaz de criar uma novilíngua para mentir com todos os dentes e aparentar, a cada instante, dizer o exato oposto do que ia sendo constatado nos indicadores económicos e sociais.
Mas o pior ainda está por descobrir: se se verificar natureza da perseguição tenaz do ministério público contra José Sócrates. Não só na forma odiosa como o quis inculpar na praça pública, mas sobretudo na criteriosa escolha do calendário para ir minuciosamente criando autênticas cortinas de fumo para esconder a argumentação incontestável de António Costa desde que chegou à liderança do Partido Socialista.
Não me admiraria nada que se comprovassem os comportamentos crapulosos de um conjunto de altas figuras do Estado em conluio para impedirem a esquerda de chegar ao Poder.
É, pois, jubilatório este momento em que assisto à tomada de posse de um governo confiante nas suas capacidades e competências para dar aos portugueses o direito a terem um esperançoso futuro.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Quarenta anos depois da festa acabar!

Há quarenta anos estava embarcado como Praticante de Oficial Maquinista no petroleiro «Dondo», quando entrei Tejo acima e vi aviões a sobrevoarem a capital.
“O que está a acontecer?”, interrogavam-se os que olhavam para a capital a partir do convés do navio. E logo os que se precipitaram para as telefonias trouxeram notícia da insurreição em curso.
Dispensado pelo Chefe fui para casa para acompanhar o que se passaria nas horas seguintes, sem querer aceitar a iminência do fim da festa.
Na época, ainda com dezanove anos, eram as ideias revolucionárias as que me seduziam, crendo no realismo de se pedir o impossível. Os acontecimentos viriam a demonstrar que, em certas alturas, os impossíveis são isso mesmo!
Hoje a direita propõe-se celebrar a data na Assembleia da República, mas sem qualquer fundamento: na época ela estava acossada ou em fuga para o Brasil ou para Espanha. Quem deu à Revolução de Abril as condições para se adequar ao formato das democracias europeias foi a esquerda militar conotada já então, ou futuramente, com o Partido Socialista. É por isso que se algum Partido teria legitimidade para, hoje, celebrar a derrota da esquerda radical em 25 de novembro de 1975, seria o PS, que sabe, porém, quanto mais importa pensar no futuro do que fixar-se em fantasmas do passado.
É nesse porvir que António Costa promete apostar mediante uma transformação progressista da organização política e social da sociedade portuguesa. E, como Alfredo Barroso, escrevia há já algumas semanas, o almejado sucesso desta nova experiência histórica poderá ter influência além-fronteiras, porque as forças políticas social-democratas e socialistas carecem de um exemplo de sucesso capaz de lhe abrir as portas para outra estratégia, que não seja a de servirem de muleta às falhadas receitas da direita.
Demonstrar a compatibilidade de uma governação mais equitativa e com crescimento económico poderá lançar outros partidos europeus para o rompimento definitivo com as trapaças ideológicas instituídas por blair e por schröder.
E até podemos arriscar que o início de algo novo em Portugal possa extravasar a própria escala continental: a derrota do kirchnerismo na Argentina revela quão frágeis são as soluções populistas de alguma esquerda latino-americana, que precisa de substância ideológica mais consistente para aprofundar um processo transformador de que tanto carecem os seus milhões de desvalidos.

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Conseguido o mais fácil, vem aí o mais entusiasmante!

Cinquenta e um dias depois da derrota eleitoral da direita, o Partido Socialista conseguiu o mais fácil: ter António Costa a liderar o XXI Governo Constitucional.
Começa agora o mais difícil. Mas também o mais entusiasmante, porque significa olhar para a realidade e transformá-la no sentido almejado por quem votou a 4 de outubro num dos quatro partidos da nova maioria parlamentar.
Olhando para o elenco ministerial só podemos ter confiança no sucesso desta aposta, porque a sua qualidade não tem qualquer paralelo com a gente medíocre, que abandona agora funções sem suscitar outra reação a quem desgovernou senão um profundo suspiro de alívio. Até josé gomes ferreira teve de reconhecer na SIC aquele inquestionável somatório de competências, abrindo, a contragosto, a possibilidade de se voltar a enganar nos seus azarados palpites (ele próprio recordou o fracasso da tese em como cavaco jamais aceitaria António Costa como primeiro-ministro!) e vir a reconhecer o eventual sucesso da solução agora iniciada.
Ao conseguir um desempenho de grande mérito e eficácia, o novo governo irá condenar a direita a uma longa e merecida travessia no deserto, que talvez lhe sirva para se reinventar à luz do que o pensamento académico nas áreas económicas já vem progressivamente demonstrando, mas ela ainda não interiorizou: o fracasso das receitas neoliberais em que é dada aos mercados a máxima liberdade e ao Estado um papel ínfimo na criação de condições de crescimento económico.
Se a crise financeira de 2008 aproveitou essencialmente a quem a tinha originado já é mais do que tempo de pôr fim ao esbulho da classe média e à condenação à morte dos mais pobres, voltando a criar políticas orientadas para quem elas deveriam ser sempre prioritárias: as pessoas.
António Costa mostrou uma enorme sagacidade em todo este processo: além de suportar estoicamente todos os insultos de que foi objeto, manteve a serenidade de quem se sabe em sintonia com os ventos soprados pela atual dinâmica histórica. Deixando a direita libertar todo o seu fel até nele próprio se engasgar, foi com pose de estadista, que se reuniu com o inquilino de Belém e dele acabou de receber a anuência para avançar para a governabilidade.
E se é verdadeira a diferença entre ser um excelente autarca e um primeiro-ministro, também não se pode ignorar existirem países europeus com menos habitantes do que a capital portuguesa. Por isso mesmo faz algum sentido invocar o sucesso de António Costa na capital para confiar na sua réplica à frente do país.
Será esse o maior medo da direita: se  governação do PS e dos partidos que o apoiam der às pessoas uma qualidade de vida e de esperança no futuro como tinham visto esvair-se nestes quatro anos, passos coelho e paulo portas serão, em definitivo, pequenos nomes em rodapé na História futura sobre estes anos de brasa...

domingo, 22 de novembro de 2015

Caída a máscara é a farsa que também se esboroa!

No almoço em que centenas de apoiantes o quiseram homenagear, José Sócrates disse algo que tem-se revelado particularmente evidente nas últimas semanas: "O sr. presidente teve tanto trabalho a pôr a direita no poder em 2011 que, agora, lhe está a custar tirá-la de lá!”
Quando ouvi tal frase logo me lembrei de uma autarca assumidamente segurista que, na semana passada, ainda veio para um plenário de António Costa com militantes reclamar uma reflexão sobre a «derrota» nas recentes eleições legislativas.
Na altura pedi a palavra para repetir o que aqui tenho reiteradamente defendido: nem sequer na noite das eleições aceitei a tese da vitória da direita, por muito que ela tenha sido milhentas vezes repetida.
A derrota do PàF foi tão óbvia que, além de perder a maioria absoluta, já evoluiu para a exigência de novas eleições por parte de quem as dizia ter ganho.
Mas o que, na altura, não pude desenvolver foi que teria sido impossível a qualquer outro líder socialista um resultado diferente, porque nunca poderia ter decisão sobre os calendários. Algo que cavaco e passos coelho manobraram de acordo com os seus exclusivos interesses.
Meses a fio a campanha da direita preparou as mentiras que se começam a desmascarar como é o caso da sobretaxa do IRS, ou as manipulações destinadas a «vender» ao eleitorado a imagem cor-de-rosa de um país que estaria a crescer, a exportar mais e a diminuir o desemprego. E concretizando, entretanto, os negócios em torno do que ainda restava por privatizar como é o caso da inacreditável venda da TAP, que se conclui agora traduzir-se numa transferência para privados dos eventuais lucros, mas a nacionalização dos prejuízos se tudo correr mal.
Ao contrário do que ainda querem acreditar alguns setores cada vez mais minoritários do PS, como os representados por aquela autarca, estou convicto de que, com António José Seguro o resultado do PS ficaria abaixo do verificado.
É verdade que houve alguma inépcia na questão dos cartazes, mas. até num excelente trunfo de campanha como o foi o estudo macroeconómico apresentado no verão, os eficientes marketeiros da direita mereceram quanto ganharam ao desqualificá-lo com deturpações do que nele estava previsto.
Poderia António Costa ter dado a volta à situação? Respondo com outra pergunta: como teria sido possível consegui-lo perante comunicação social totalmente apostada em silencia-lo ou denegri-lo?
Mas a maior estratégia da direita teve José Sócrates como vítima. Porque a coincidência da data da sua detenção e de outros atos posteriores do ministério público e do juíz de instrução tiveram sempre por objetivo condicionar, se não mesmo retirar impacto às iniciativas pré-eleitorais do PS.
Agora que toda a estratégia falhou e a esquerda está em vias de garantir uma governabilidade completamente diferente, a farsa em torno da inexistente acusação a José Sócrates já pode cair. Faltando apenas devolver-lhe a credibilidade seriamente ofendida por instituições judiciais e pasquins, que serviram de ferramentas a uma direita capaz dos mais crapulosos meios para atingir os seus fins. 
O grande apoio hoje sentido por José Sócrates na antiga FIL só foi o primeiro dia do resto da sua longa vida onde muito dele se voltará a esperar... 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sondagens que sugerem a vitória de Sampaio da Nóvoa

Enquanto apoiante do Prof. Sampaio da Nóvoa só posso olhar para o trabalho da Eurosondagem, agora conhecido, com um grande otimismo.
Marcelo não consegue manter os índices muito acima dos 50%, que se conhecem de outros estudos, porque tendem a esvair-se progressivamente os votos dos eleitores da esquerda cuja opinião era apenas condicionada pela sua notoriedade em relação à dos restantes candidatos.
Há também a enorme diferença de registo entre o comentador televisivo e um aspirante à função mais elevada do Estado. Quem olhou anos a fio para as presenças dominicais de marcelo e o ouve agora a tentar assumir a gravitas inerente ao cargo a que almeja só pode concluir quanto a bolota não jogará com a perdigota.
Essa falsidade no tom e no conteúdo das palavras será determinante para vê-lo decair progressivamente, até abrindo algum espaço para Paulo Morais se este conseguir chegar à inserção do seu nome no boletim de voto.
É igualmente muito pequena a diferença entre Maria de Belém e Sampaio da Nóvoa. Sabendo-se quanto a ex-presidente socialista está próxima dos lobbies ligados aos grupos financeiros e farmacêuticos, sendo pois de evitar a sua eleição para não assegurar na presidência a promiscuidade já verificada quando, enquanto deputada, mantinha funções na administração de empresas de tais interesses económicos, bastaria que um dos candidatos à esquerda - Edgar Silva ou Marisa Matias - desistissem à boca das urnas e apoiassem Sampaio da Nóvoa para ser este a passar à segunda volta.
Confio, porém, que nem será necessário chegar a essa alternativa: Maria de Belém terá consigo os derrotados das Primárias de há um ano no PS e alguns socialistas mais iludidos, que clarificarão a sua posição com a evolução da campanha eleitoral. É que, como se viu no enorme jantar-comício dos Olivais, o prof. Sampaio da Nóvoa está a suscitar uma dinâmica de vitória, que arrebata os apoios dos mais dinâmicos setores da cultura, do conhecimento e da economia a nível nacional. E, quando se o ouve, em comparação com os demais candidatos, é evidente a diferença de substância, por ser o único com uma Visão de futuro para o país.
Muito embora a comunicação social o esteja aparentemente a boicotar - vide a quase ausência de reportagens sobre as suas ações de campanha! - Sampaio da Nóvoa irá progressivamente superar Maria de Belém. Até porque as ações de campanha desta - veja-se a apresentação no Porto - não conseguem cativar apoiantes. Por isso mesmo, e para não a comprometerem, as televisões, ora dão importância ridícula aos seus pequenos-almoços, ora nem sequer se atrevem a mostrar a assistência para que, supostamente, discursa.
E ainda nem sequer chegámos aos debates onde confio na enorme superioridade argumentativa do meu candidato em relação aos que lhe podem pôr em causa o vitorioso rumo a Belém.

A realidade que cavaco não gostaria de aceitar!

A edição de hoje do «Expresso« mostra como, apesar da verdadeira galeria de horrores em que se converteu o átrio onde a quase totalidade dos seus convidados por ele ouvidos nos últimos dias, mostrou “reservas” ao possível governo de esquerda pouco restará a cavaco que não seja empossar António Costa como primeiro-ministro. É que, como diz António José Teixeira no «Expresso» de ontem, “não há soluções blindadas para quatro anos. A democracia comporta riscos, os governos podem ter percalços, mesmo os que dispõem de maiorias absolutas”.
Mas, é num excelente artigo intitulado «Cavaco não suporta que a realidade não seja cavaquista» que Daniel Oliveira lhe traça um contundente retrato: “Cavaco não é apenas, como quase todos os políticos, um incorrigível vaidoso. É um caso patológico de soberba . A soberba de alguém que, por ter tido a sorte de chegar a primeiro-ministro quando chovia dinheiro de Bruxelas, esteve sempre uns degraus acima das suas capacidades. A forma como geriu esta crise demonstra isso mesmo. Cavaco Silva é um interminável erro de casting”.
Como Jorge Coelho lembrou na «Quadratura do Círculo» ele já abandonou as funções de primeiro-ministro com a reputação bastante danificada. Nada, porém, com o patamar rasteiro em que termina o mandato como presidente.

Um catavento com uma pitada de Maquiavel

Que marcelo rebelo de sousa andou pelos corredores das instituições europeias em Bruxelas parece indubitável. Que neles encontrou Marisa Matias também me parece óbvio. Que dando de caras com Juncker lhe pediu posarem juntos, ficou demonstrado na fotografia em causa. Agora, que o Presidente da Comissão Europeia o tenha recebido com a formalidade devida a um político com um cargo passível de merecer a audiência, já começo a contestar. Até porque marcelo tem historial em revelações falsas sobre o que terá vivido em palácios onde se exerce o poder. Basta recordar o episódio da vichyssoise com que ludibriou paulo portas!
É que marcelo não se limita a ser um catavento! Com uma argúcia, que o torna aprendiz atento dos ensinamentos de Maquiavel, ele é capaz de utilizar os mais intrincados argumentos para levar por diante o que pretende. Veja-se a suposta polémica quanto a não estar a ser muito bem visto pelas direções do PSD e do CDS, dispostas até a apresentarem uma candidatura alternativa.
Todos sabemos que a pouco mais de dois meses da primeira volta das eleições já não há a mínima hipótese de preparar uma candidatura ganhadora. Até sequer para arranjar em tempo útil as 7500 assinaturas necessárias para ter direito a figurar no boletim de voto!
Temos, pois, que a direita sabe só poder contar com um único candidato credível, já que os demais com ela conotados só servirão de figurantes na paisagem. Mas também sabe que conseguir passar do seu resultado nas legislativas - 38,5% - para uma vitória à primeira volta necessita de dissociar marcelo do seu campo ideológico. Daí este aparente desapego, destinado a dar-lhe a possibilidade de iludir mais uns incautos. É que até lobo xavier, na “Quadratura do Círculo” já reconheceu que, obrigado a ir à segunda volta, marcelo acabará inapelavelmente derrotado.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

A recolocação da bandeira na posição correta

É muito provável que, ao escusar-se a participar nas comemorações do 5 de outubro, cavaco silva tenha recordado o episódio de 2012, quando hasteou a bandeira ao contrário. Porventura ter-se-á criado na sua tortuosa cabeça a ideia da responsabilidade de António Costa num episódio, que era bem simbólico de um país virado do avesso por ação da sua ativa cumplicidade com a direita ultraliberal.
Quando daqui a menos de quatro meses abandonar o Palácio de Belém, essa imagem persistirá como uma das mais emblemáticas dos dois mandatos de cavaco silva. Porque, se durante os primeiros anos de coabitação com José Sócrates como primeiro-ministro teve de disfarçar o faciosismo, tão credível se ia revelando a governação, outra foi a atitude no momento em que a crise internacional, suscitada pela falência da Lehman Brothers, deitou a perder os sucessos entretanto verificados.
Como padrinho do passismo, cavaco foi o rosto mais impressivo desse país virado do avesso, com os portugueses a sofrerem o desemprego ou a precariedade do emprego, a partida dos filhos para a emigração forçada ou o suicídio de muitos amigos e familiares, incapazes de suportarem a sensação de não encontrarem préstimo nesta sociedade mais preocupada com a opinião dos credores e dos mercados do que com o bem estar dos cidadãos.
Muito embora esta semana tenha sido fértil em muitas conjeturas quanto à possibilidade de manter passos coelho em gestão até à saída do cargo, cavaco silva não terá outra alternativa que não seja a de, a contragosto, empossar António Costa como primeiro-ministro. De facto, demonstrando a sua notável argúcia, o futuro primeiro-ministro conseguiu cumprir, um a um, todos os requisitos impostos por cavaco nos meses anteriores para o que deveria ser o novo quadro governativo: dialogou com as demais forças políticas, construiu uma maioria alargada e sólida no quadro parlamentar e está em condições de ver aprovado um programa compatível com os compromissos externos do país.
Não duvidamos que, na tomada de posse do novo governo socialista, cavaco fará um discurso ainda mais execrável do que o  proferido em 2011, quando, acabado de reeleger como presidente de todos os portugueses, logo anunciou a declaração de guerra a quantos nele não haviam votado, em particular ao primeiro-ministro de então.
E é igualmente expectável que nas semanas a decorrer entre o início de funções do governo socialista e a entrega do cargo ao sucessor, ele mova uma guerra permanente, feita de vetos sucessivos, à legislação entretanto aprovada pela esquerda na Assembleia da República. Mas isso só contribuirá para que a sua imagem ainda consiga sair mais deteriorada do que já está. 
Ele será - esperemos que por muitas décadas! - o exemplo lapidar de alguém que chegou muito além do que aconselhariam as suas escassas qualidades. A sua saída da presidência, aliada à da condenação da direita a uma longa e merecida travessia no deserto, equivalerá a uma verdadeira revolução no rumo do país e na vida dos portugueses.
Conseguida a convergência da esquerda num mesmo projeto antiaustericida só faltará eleger um Presidente, que com ele esteja convictamente solidário. E não vemos outro, que não seja Sampaio da Nóvoa a personificar esse definitivo erguer bem alto da nossa bandeira, redignificando a função presidencial e enfatizando a identidade inalienável da nossa soberania...

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Tudo em aberto nas Presidenciais

Ontem um vizinho, que me sabe apoiante do Prof. Sampaio da Nóvoa veio questionar-me a propósito da sondagem acabada de anunciar e que dava marcelo como vitorioso á primeira volta.
É claro que passei rapidamente do provérbio sobre o milho e os pardais para a evocação de um momento histórico demonstrativo de tudo ainda permanecer em aberto:  quando Mário Soares partiu de um apoio inicial de 8% e, face a Salgado Zenha, Maria de Lurdes Pintasilgo e Freitas do Amaral, acabou por sair vencedor.
A História não é fértil em repetições, nem as circunstâncias são as mesmas: os meios ao dispor dos candidatos não se comparam com os então disponíveis,  nem o dramatismo associado a essa eleição se está a repetir. Freitas do Amaral personificava uma direita semelhante à hoje representada por passos coelho, em que era evidente a avidez em alcançar o poder para reverter o que sobrava das conquistas da Revolução.
Nesse sentido, marcelo, mesmo adivinhando-se-lhe a intenção de prosseguir a imposição de condições bastantes para a direita se perpetuar no poder, surge como o lobo disfarçado de carneiro, disposto a ir para o pé do rebanho e só então se libertar da sua capa simpática, manifestando-se na sua verdadeira face. E é também verdade que o seu principal opositor, Sampaio da Nóvoa, está longe de ter associada a carga negativa então colada a Mário Soares.
Em 1986 o fundador do PS era o representante da sua ala mais à direita ao fazer que prevalecesse um tipo de política mais de acordo com os padrões da Europa de então. O receio do comunismo era tal que não quisera arriscar alguns dos caminhos abertos  doze anos atrás, mormente na revolução agrária assente nas cooperativas ou na forte orientação estatal no domínio da economia.
Os mercados, já então eles, tinham ditado uma política de sucessivas privatizações, com a facilitação de enormes falácias como as de uma mais competente gestão dos privados do que dos gestores públicos ou da excessiva burocratização da administração pública.
Nessa época eu próprio descri das possibilidades de Mário Soares em sair vencedor, porquanto apoiava convictamente Salgado Zenha. Mas enganei-me: Maria Lurdes Pintasilgo conseguiu dividir suficientemente o mesmo eleitorado de esquerda e foi Soares, quem passou à segunda volta ao contar com o núcleo duro dos simpatizantes e militantes socialistas
É isso, que irá agora acontecer: contando com a maioria dos militantes e simpatizantes socialistas a seu lado, aos quais se somarão os comunistas e os bloquistas, que sabem qual o verdadeiro significado das candidaturas dos respetivos partidos, o Prof. Sampaio da Nóvoa tem todas as condições para prevalecer sobre Maria de Belém. É que a descredibilização desta é inevitável pela  condição de representante um tempo que não volta para trás: o dos que perderam as primárias socialistas de há um ano atrás.
Falta pois passar à segunda volta e vencer a forte candidatura de marcelo. Mas, também há trinta anos Freitas do Amaral, com mais de 46% na primeira volta, parecia imparável. Nessa altura, sob os auspícios de Álvaro Cunhal, toda a esquerda uniu-se em torno de Mário Soares e ele venceu com mais 140 mil votos do que o candidato da direita.
Agora, numa altura em que essa esquerda plural está a trilhar o caminho de uma maior conjunção de esforços, devemos confiar que se repita hoje o que a História nos legou enquanto exemplo a ser replicado... 

Erros estratégicos que se pagam caro

É bem conhecido o efeito de se atacar deficientemente um ninho de vespas: ou se aposta em queimá-lo com a maior rapidez, impedindo que elas saiam cá para fora, ou arriscamo-nos a ser delas vítimas de furiosos ataques.
O combate ao Daesh deveria ter tido essa eficácia: uma concertação entre russos, iranianos e sírios de um lado, e curdos, americanos e franceses do outro seria um poderoso sinal contra o terrorismo internacional. Mesmo sabendo-se o quanto essa convergência desagradaria aos sauditas, aos qataris e, sobretudo, aos israelitas.
 O que aconteceu esta semana em Paris é a demonstração do que pode continuar a suceder enquanto se ataca o ninho inimigo sem a necessária determinação. Algumas das «vespas» podem continuar a sair cá para fora e a causar danos como os agora constatados.
Gradualmente o ocidente vai compreendendo o erro de ter transformado Bashar al Assad no seu maior inimigo: dando ouvidos a Erdogan, que teme pelo fracasso dos seus planos para incrementar a dimensão totalitária do seu regime e por isso apoiou os salafistas na esperança de os ver destruir os curdos, ou a Netanyahu, cujas comprometedoras cumplicidades com o Daesh andam a ser divulgadas, os franceses e os norte-americanos são os maiores responsáveis pelo que vem sucedendo naquela região do Médio Oriente.
É lamentável que Hollande tenha necessitado de cento e trinta mortos para rever a lógica das suas opções estratégicas. Talvez se consigam enfim criar as condições para que o exército de Assad por um lado, e os peshmergas por outro, tenham vitórias cada vez mais determinantes para a derrota definitiva de tal fenómeno terrorista. Mas tudo seria bem mais fácil se uma poderosa coligação internacional avançasse sem tibiezas para a libertação sucessiva dos territórios ainda ocupados na Síria e no Iraque...

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Um planeta liberto dos seus deuses

Reiteradas vezes tenho aqui feito “profissão de fé” de ateu. Não acredito em qualquer sentido de transcendência, nem em nada que justifique ficar-me pelas meias tintas dos agnósticos. Aquilo que alguns atribuem a um qualquer deus acaba, mais tarde ou mais cedo, por ganhar uma explicação científica e , como tal, restringindo-se ao funcionamento da matéria. E sinto-me muito bem acompanhado nestas convicções por gente que muito admiro como Christopher Hitchens, Richard Dawkins, Philip Roth, Stephen Hawking ou Woody Allen.
É por isso que faz todo o sentido a reação da jovem estudante Chloé Geneste, quando os jornalistas a questionaram, sobre a solidariedade internacional para com as vítimas dos recentes atentados em Paris: “Digam que estão a pensar em nós, não digam que estão a rezar por nós, porque é por aí que começam as complicações”.
Atualmente não são só os psicopatas do Daesh a chacinarem quem não segue a sua singular forma de ver o Islão.  Noutras partes do mundo há povos perseguidos, torturados e assassinados só por não seguirem os credos maioritários dos sítios onde vivem. Por exemplo os tamiles foram mortos ou expulsos do Sri Lanka pelos hindus. Os muçulmanos  Rohingyas do Myanmar estão a ser mortos à fome pela populaça agitada por monges budistas e nem Aung San Suu Ky lhes promete valer apesar da vitória eleitoral com uma esmagadora maioria absoluta. E há igualmente muçulmanos a serem abatidos por hindus na Índia.
Não esqueço, igualmente, o sentido de «bondade» dos católicos nos tempos da Inquisição ou, mais recentemente, na América do Sul, quando grande parte do seu clero foi conivente, senão menos cúmplice, com as ditaduras militares.
Estou, pois, com  o que dizia José Saramago quando defendia a mesma perspetiva ateia, que é a minha: “Não suporto a maldade e a hipocrisia que cresceram à sombra não só do cristianismo, mas das religiões em geral, que nunca serviram para unir os homens”.
A verdade é que a Humanidade viveria muito melhor sem a crença em qualquer deus...