terça-feira, 5 de junho de 2018

A minha confessada antipatia quanto à luta dos sindicatos dos professores


No conflito atualmente existente entre os professores e o Governo não tenho duvida alguma em dar razão a este último: como contribuinte não estou disposto a pagar mais impostos para que essa classe profissional veja satisfeitas as suas incomportáveis exigências (seiscentos milhões de euros anuais como António Costa não se cansou de referir no debate quinzenal de hoje), sobretudo tendo em conta que, enquanto reformado, não vejo condições de recuperar o nível de vida decorrente da pensão, que me foi atribuída em 2011 e que, desde então, só se tem degradado, primeiro com os cortes sofridos, e depois com o congelamento a que tem sido sujeita. Não teria a mesma legitimidade para me pôr a vociferar com o governo por não me dar o que deveria ser meu de direito?
Egoísta na lógica corporativista, insensata no quanto arrisca atirar o país para situação semelhante à dos anos anteriores a 2011, quando a mesma classe profissional foi aliada objetiva das direitas, então apostadas em derrubar o governo socialista, a luta dos professores peca pelo irrealismo de considerarem justa a ascensão de todos eles ao topo da carreira, como se isso fosse regra no resto da sociedade em que que vivem.  Se me ativer à atividade profissional em que desempenhei funções durante dois terços da minha vida ativa, isso equivaleria a alterar as listas de tripulações dos navios nacionais para, tendo em conta a antiguidade de todos os oficiais neles embarcados, só terem Comandantes como Oficiais da Ponte e Engenheiros-Chefes como Oficiais de Máquinas. É claro que, como é lógico, a progressão só acontecia em função das vagas, que se iam criando nas respetivas hierarquias e em função do mérito de quem as poderia preencher. Da mesma forma seria como se olhássemos para as Forças Armadas, e víssemos o Exército recheado de marechais e generais, sem espaço para a contratação de jovens tenentes ou aspirantes.
Na nossa sociedade os professores não têm só no dinheiro o principal problema. Perderam o estatuto de respeitabilidade do passado pela forma irresponsável como têm surgido com exigências absurdas em períodos particularmente tensos para as famílias, que veem os filhos condicionados no seu futuro pela forma como ficam em causa as avaliações ou os exames. Ou,  contando com 23 sindicatos para representarem a classe que, quanto muito deveria ter meia dúzia, justificam que nos interroguemos se os dirigentes de tais organizações auferem das regalias em faltas ao serviço, que imaginamos prováveis? Se, no fundo. a falta de verbas para o setor da Educação não passa pela melhor gestão de recursos humanos, que este tipo de abusos implica?.
Há dificuldades na profissão de professor, que importa resolver, nomeadamente na sua fixação duradoura em áreas geográficas sem se sujeitarem a andar permanentemente com a casa às costas de ano letivo em ano letivo. Mas toda a sua razão se perde quando, para se verem contemplados nos seus exclusivos interesses põem em causa as finanças públicas e facilitam o regresso dos partidos austeritários ao poder.

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