domingo, 14 de abril de 2019

Sondagens, fake news e outros ingredientes que tais


Na sexta-feira abordara aqui a sondagem da Aximage, e ainda não conhecia a que viria depois a ser divulgada pela Eurosondagem, que lhe contrariava as tendências. Razão para tomar acrescidas cautelas na leitura do que ilustram, sobretudo quando as eleições se aproximam e elas prescindem da função de intérpretes dos sentimentos dos consultados pelos respetivos universos de inquiridos, e tornam-se veículos complementares de uma propaganda judiciosamente arquitetada nos clandestinos gabinetes dos que almejam voltar a ser «donos disto tudo».
Dizia o poeta Aleixo que para a mentira ser segura e atingir profundidade tem de trazer à mistura qualquer coisa de verdade. E assim procedem os que cumprem a missão, atribuída pelos respetivos donos, de dificultarem, tanto quanto possível, a anunciada vitória dos partidos afetos à maioria de esquerda.
Não são inverosímeis as especulações, que possamos fazer, sobre as reuniões dos patrões com os diretores e chefes de redação dos jornais, rádios e televisões, dando tratos à cabeça para saberem como melhor poderão ter sucesso na criação de nuvem de poeira tão densa, que parte substancial do eleitorado esqueça todos os indicadores demonstrativos de quanto o país tem mudado para melhor e acredite ingenuamente nos cenários distópicos, que lhe vão vendendo numa lógica goebbeliana  de transformar em aparente verdade uma mentira milhentas vezes repetida.
Nas próximas semanas os telejornais e os títulos da imprensa, a soldo desses patrões privados, abundarão em temas requentados (a nomeação de familiares para responsabilidades públicas, incêndios, caos nos hospitais, etc.), em lutas corporativas fomentadas por sindicatos afetos ás direitas (enfermeiros) ou delas continuando a servir de idiotas úteis (professores), com algumas fake news à mistura, nestas se incluindo sondagens cujas fichas técnicas parecerão cumprir os requisitos de credibilidade, mas distorcidas tanto quanto possível para apresentarem resultados nos limites da sua (in)significância.
Será necessário desenvolver intenso trabalho político, quer na rua, quer nas redes sociais, para dar às direitas a derrota que merecem!

2 comentários:

  1. Jorge Rocha, não se enerve, em ano de eleições toda a gente pede alguma coisa e também se sabe que as más notícias vendem melhor (isso é sempre). Ao PS aconselha-se que aprenda com as legislativas de 2015 e a campanha desastrosa que fez e arranje gente profissional para gerir as campanhas que aí vêm.

    Eu até vejo uma genuína vantagem de um bom resultado do PSD nas Europeias, a saber, Rui Rio ficará de pedra e cal até às legislativas e a alt-right à Portuguesa vai ter que esperar mais uns meses, pelo menos, até começar o assalto ao Partido...

    E, se Rui Rio tiver um bom resultado nas legislativas, o PS pode contar com ele para quando for preciso (como contou com Passos e depois Rio durante esta legislatura, que nem tudo foi feito à Esquerda).

    Um muito mau resultado do PSD num cenário de maioria relativa e dificuldades na frente económica seria meio-caminho andado para uma Geringonça 2 não durar 2 anos...

    União das Esquerdas, sim, ma non troppo...

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  2. Para bem de Portugal e dos portugueses, a travessia no deserto dos pafiosos será longa, longa... espero.

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