domingo, 21 de julho de 2019

Trumpices, tavarices e direitos laborais


Os artigos de Miguel Sousa Tavares suscitam-me reações ambivalentes: quase sempre discordo do que defende mas, de quando em quando, acontece subscrever-lhe os conteúdos. É o caso desta semana em que verbera Marcelo por pretender-se dono da casa comum em que moramos e, sem levar em conta o sentimento maioritariamente coletivo da nação, decidiu convidar Donald Trump para cá vir exibir a sua ridícula pesporrência.
Vistas bem as coisas, que temos nós a ver com a vaidade de Marcelo em se querer selfizar com os que considera «grandes deste mundo»? Que vantagens obterá o país da visita de quem costuma delicodoçar-se com os supostos inimigos e tratar os ditos aliados como meros vassalos a quem nada custa humilhar?
A exemplo de Miguel Sousa Tavares não aceito que um cêntimo dos meus impostos seja gasto nos jantares, presentes e outras mordomias com que seja prendado o ignóbil pato bravo de Nova Iorque.
Outro Tavares, mas esse confesso amigo de Marcelo, e cujos textos justificam permanente aversão, decidiu dar conta dos seus pesadelos ao escrever no «Público» que, a acreditar nas sondagens, há fortes possibilidades de as esquerdas contarem no próximo hemiciclo com os 2/3 necessários para reverem a Constituição e conseguirem uma maioria mais do que absoluta no Tribunal Constitucional. As insónias andam-lhe garantidas, porque Rio com o seu proposto Ministério de Promoção da Saúde ou Cristas graças ao plebiscito sobre o seu mais adequado penteado, tudo fazem - sempre de acordo com o carpideiro! - os possíveis para darem plena satisfação a António Costa. Que, na tarde deste mesmo sábado, o alfinetou com a efetiva possibilidade de colocar na agenda a revisão constitucional para, entre outros problemas pertinentes, arranjar melhor solução para resolver as situações de violência de género. O João Miguel deverá ter ouvido aquelas palavras com o sobressalto de ver confirmadas as suas piores suspeitas.
No mesmo discurso, durante a Convenção organizada no Pavilhão Carlos Lopes, António Costa valorizou a recente aprovação das Lei de Bases da Saúde e da nova legislação laboral. No caso desta última o meu entusiasmo é menos vibrante, embora lhe reconheça algumas virtualidades. Mas acompanho Manuel Carvalho da Silva quando interroga a legitimidade de a ver previamente sufragada pela Concertação Social, que “está (...) longe de ser, um espelho fidedigno das relações laborais em Portugal.”
E acrescenta o antigo líder da CGTP: “submeter todas as reformas laborais à Concertação Social é assegurar que só há dois caminhos possíveis: ou a estabilização dos desequilíbrios, como agora fez, ou o aprofundamento desses desequilíbrios. As duas opções, em conjunturas diferentes, agradam a Bruxelas, à Direita e a todos os que objetivamente apostam nos baixos salários, na precariedade, na descaracterização da negociação coletiva, na colocação de toda a instabilidade no lado dos trabalhadores como caminhos para o sucesso do "mercado de trabalho".

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