A greve
geral em França, a mobilização pelo direito à habitação em Espanha, as insónias
dos republicanos em Estados como o Iowa, que costumavam considerar seus e agora
sentem a pender para os democratas, conjugam-se com a crise da Argentina, que
leva o homem da motosserra a peregrinar pela Europa a mendigar investimento.
Sabíamos
que não há mal que sempre dure. Faltava a confirmação empírica, e esta semana
trouxe-a de várias direções ao mesmo tempo.
Vale a
pena recordar a futilidade das certezas de outrora. Os comentadores da direita,
com a mesma convicção de Fukuyama há umas boas décadas quando anunciou o fim da
história, garantiam que a tendência dos últimos anos se prolongaria
indefinidamente, como se as marés obedecessem a decretos ideológicos e não a
movimentos sociais que se acumulam até transbordar.
Não se
trata de anunciar vitórias, muito menos de baixar a guarda: os retrocessos
instalados não desaparecem por decreto de otimismo, e os indícios de refluxo
levam tempo a tornar-se maioria consolidada. Mas os indícios existem, e
ignorá-los seria tão ingénuo quanto foi a certeza contrária.
A
história, ao contrário do que Fukuyama previu, continua a escrever-se. E, desta
vez, parece escrevê-la com letra diferente da que os arautos do fim da história
esperavam.

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