sábado, 26 de setembro de 2026

Chamem-lhe aldrabão, é o que ele é!

 


Há-de chamar-se a alguém outra coisa que não aquilo que ele é? A pergunta ficou no ar depois de Hugo Soares ter chamado aldrabão a André Ventura em pleno hemiciclo, e de o momento ter dividido opiniões no podcast do Público: Ana Sá Lopes bateu palmas, Helena Pereira chocou-se com uma atitude tão pouco habitual nos partidos do outrora chamado arco da governação.

Comece-se pela ironia óbvia: dificilmente será o líder parlamentar do PSD a figura de maior legitimidade moral para tal arremesso, ele que tantas vezes reserva a mal educada picardia para as esquerdas, poupando ao Chega o tratamento equivalente. Não falta, porém, razão a Ana Sá Lopes em aplaudir o momento, ainda que viesse de quem viesse.

Porque há um público que precisa de ser confrontado com a sua deplorável condição: a de apoiante acéfalo de um... aldrabão. Repita-se, sem eufemismos, que é disso mesmo que se trata, e não de outra coisa que a linguagem contemporizadora costuma inventar para não ofender quem já devia estar ofendido consigo próprio.

Ruben Martins questionava se seria necessário mergulhar na imundície com um porco para por ele se fazer entender. A pergunta é legítima, mas a resposta é simples: sim, às vezes é preciso, porque o porco não entende linguagem de salão, e o eleitorado iludido do Chega tão-pouco costuma reconhecer-se em eufemismos parlamentares.

Talvez essa forma de os despertar da sua adesão à pocilga lhes dê, finalmente, vontade de um longo e higiénico banho. Não é garantido, note-se: há quem se instale na lama por gosto, não por ignorância, e a esses nenhuma palavra, por mais certeira, devolve a vergonha que nunca tiveram.

Mas aos outros, aos que seguem Ventura por desespero social mal direcionado, por raiva sem norte que a esquerda devia ter captado e não captou, a estes talvez sirva ouvir, dito sem rodeios, por quem quer que seja, mesmo por quem não tem toda a legitimidade para o dizer: o homem que seguem é um aldrabão. Chamar-lhe outra coisa seria a verdadeira indelicadeza, o verdadeiro desrespeito — não para com ele, que esse já perdeu qualquer direito a consideração, mas para com a inteligência de quem o ouve. 

1 comentário:

  1. O adjectivo é á escolha, mas no caso faltou acrescentar o que eu acrescento. O tipo é um ALDRABÃO, mas É O ALDRABÃO DELES.

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