Mais uma segunda-feira, mais um aumento nos combustíveis. Os portugueses já sabem de cor o gesto: encher o depósito ao domingo à noite, como quem foge de uma tempestade anunciada.
José Luís
Carneiro fez as contas, e as contas não perdoam. Mil e quarenta e oito milhões
de euros embolsados pelo Governo em impostos sobre combustíveis, só entre 2024
e 2025. Mais mil e setenta milhões de IVA extra, só entre janeiro e julho deste
ano, por cortesia da inflação que o próprio Governo diz combater. Dois anos,
dois números, uma só direção: a dos cofres do Estado, a partir do bolso de quem
enche o depósito para ir trabalhar.
A
resposta do Governo não desmentiu um único algarismo, preferiu mudar de
assunto. Hugo Soares acusou Carneiro de viver no passado, de estar mal
habituado aos tempos de António Costa. Não explicou por que motivo um Governo
que critica o passado insiste em repetir-lhe a então verberada receita,
cobrando mais quanto mais cara fica a vida a quem já pouco tem. Defendeu o ISP
como resposta social, calado quanto ao IVA que este mesmo Governo recusou, por
três vezes, reduzir na Assembleia da República.
Há um
desnorte próprio em quem ataca sem argumento, como o elefante que entra na loja
de porcelanas convencido de estar a limpá-la. Move-se muito, quebra tudo à
volta, e no fim gaba-se de ter deixado a loja mais arrumada. Assim se defende
este Governo: não pelos números, que não tem, mas pelo ruído, que sobra.
Entretanto,
chega segunda-feira, e com ela o aumento de nos combustíveis. As contas certas
de que tanto se orgulha o Governo são, afinal, as contas de outros: dos que
pagam mais por litro de gasóleo e de gasolina, para que a folha de balanço do
Estado continue a parecer saudável. Contas certas por fora, buraco por dentro,
tapado com o dinheiro de quem menos tem para tapar buracos alheios.

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